sábado, 11 de fevereiro de 2017

RESPIRAR


http://www.elversiculodeldia.com/wp-content/uploads/2016/01/universo.jpg


RESPIRAR


O hálito, alento em meus lábios,
Sussurrando a voz, o verbo, a maldição,
O sangue que pulsa na corrente vital,
Cadeias imprevisíveis de um sonho letal.



Uma roda que massacra o tempo,
Entre o bem e o mal, no interior do catavento,
Girando feito um bumerangue perdido,
Procurando a cabeça do demônio corroído.



Respiro a palavra que pronuncia o anjo,
Exalo o choro do bebê recém nascido,
Entre as entranhas da vida desenhada,
Numa folha de pergaminho imaculadada.



Já não é o corpo que respira o sopro,
É o espírito que sonha ser santo,
O grande alento respira por todo o universo,
Numa sinfonia sem acordes, nem verso.



Elder Prior.

ESCURIDÃO



http://1.bp.blogspot.com/-Ue2HN8dytLI/T-TzPMuN1jI/AAAAAAAAAGE/AWgm72X3LeM/s1600/Sozinho1.jpg

 


ESCURIDÃO

Na escuridão da floresta reservada,
Em tons sombrios calmamente pincelada,
Lá estava, tal como descrita no oculto,
Entre a prece do santo e do herege inculto.

Andando entre os raios das estrelas errantes,
Seguindo o homem, seu eterno amante,
Se prende ao cordão do tempo que escorre,
Nas entranhas da escuridão, morre.

A terra úmida sente o sabor do fogo,
Mão ao alto suplicando em rogo,
Mas a prece não acalenta a visão,
O que padece centro do coração.

Animais fantásticos surgem na escuridão,
Não se sabe ao certo, real ou ilusão?
E os efeitos ficam, ignorando a paisagem,
Retratando o gosto de quem alimentou a imagem.

Um lobo uiva ao conhecer a lua,
Um círculo de fogo para a mulher nua,
A escuridão se dissolve entre pernas dançantes,
Que se alimentam das freiras e seus amantes.

Elder Prior.

CARNAVAL OUTRA VEZ


http://www.sobreavida.com.br/wp-content/uploads/2011/08/mascaras-carnaval-veneza.jpg



CARNAVAL  OUTRA VEZ

Politicamente mente e os dementes crêem,
Sonham, bebem, dormem acordados, acomodados,
Na miséria, atitude séria de conformados, formados,
Nas academias, epidemias de ideias erradas,
Escancaradas nas praias secas de sal,
O mal que se alastra num mundo podre,
Sem direção, só a do cão, cérbero faminto,
Minto a mim, quem sabe um Serafim,
Um demônio, binômio de Deus, ou seus,
Os apetites da falsidade, na cidade enfeitada,
Festejada pelas insanas criaturas, das alturas,
Criam regras, sem tréguas, para o povo que se alegra,
Com os enfeites de outro carnaval.

Elder Prior

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2017

A ARTE DA GUERRA




A ARTE DA GUERRA


A arte faz guerra entre o pincel e o vazio,
Entre a linha e a pena deslizante,
Nos acordes da música que invade o silêncio,
E a monotonia se desmorona pela arte, a cena, acena.


Há uma guerra entre a arte e o mundo,
A arte derruba os muros da realidade,
Vive atrás, oculta, sagrada entre os profanos,
Aos hereges que sabem a verdade escondida.


Os que dominam a arte não se prendem,
A rotina da roda se perde no imenso obscuro,
E a alma perdida não quer encontrar,
Nada, nem Tudo,
Apenas, lutar em sua guerra de criar arte.



Elder Prior.