domingo, 13 de novembro de 2016

FOLHA III




FOLHA III



Escondidas pelos cantos, ressequidas,

Mãos que não tolhem folhas embevecidas,

Assombrações transpassam a imaginação,

Deleitando o gosto da aparição.



Atrás dos muros, dos sepulcros eternos,

Vivem os santos inocentes do pensamento hodierno,

O anjo arcaico, arcanjo retrógrado,

Procura por algo que seja ainda sagrado.



Uma alma levanta alva, levada ao patíbulo,

Queimem a pena, impera no altar o turíbulo,

As correntes arrastam o condenado ao inferno,

Eis a sentença da lei ao mundo moderno.



Uma voz aclamada aos cuidados da pitonisa,

Respostas infundadas que a crença ainda canoniza,

Coribantes derretendo o metal áureo,

Procura frenética para aplacar o Centauro.



E numa noite, nem dormir, nem acordar,

Em estado de letargia deverá estar,

Entre dois mundos que separam a realidade,

Verás que somos parte de algo pela metade,

Há algo escondido lá fora, aqui dentro,

Onde não somos nada, e mesmo assim somos centro.



Elder Prior.

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