domingo, 15 de maio de 2016

PEDRA SOBRE PEDRA





PEDRA SOBRE PEDRA

As pedras ruíram, as trombetas se emudeceram,
Os anjos foram embora, as vistas se escureceram,
E o pedreiro busca nos escombros o que ainda resta,
Partes da verdade, pedaços do que ainda presta.

Nossas cascas espalhadas em restos de ciência,
Transbordando em palavras e discursos de grande eloquência,
Deixando aquilo que envelheceu para assentar a pedra angular,
De um novo tempo que ajudamos despertar.

O ancião olha o tempo precioso passar rapidamente,
Como um filme, sua vida se dissolve em sua mente,
Enquanto o jovem desdenha do tempo perdido,
Entre novas paixões e o coração iludido.

Mas não há nada de novo debaixo do céu infinito,
Dizia Salomão, o sábio que se tornou um mito,
Que entre todas as riquezas escolheu a Sabedoria,
Sabia que o ciclo do mundo se reciclaria.

E estamos nós hoje, neste mundo insano,
Acreditando sermos algo mais, de outro plano,
Cada um, planejando se tornar deus de si mesmo,
Caminhando dentro de si, procurando a esmo.



sexta-feira, 13 de maio de 2016

TREZE

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TREZE

Dizem que o número treze dá azar,
E no Tarô, vem a morte encarnar,
Sublime, ceifando o que passou da hora,
A vida lhe engole, suas raízes devora.

Dizem que é treze, o pobre louco do hospício,
Mas alguns ainda são aplaudidos de início,
E quando se descobre a loucura tardia,
Começa uma procura pra atacar a agonia.

Mais qual é o azar de se ter sanidade,
Neste mundo onde impera a calamidade,
O azar é exercício da loucura criada,
Nos dados jogados numa jogada viciada.

Dormem os loucos na loucura dos sãos,
Tomando choque dos seus irmãos,
Ainda bem que ainda ninguém notou,
Para o hospício ainda não vou.

Talvez seja melhor o azar da demência,
Do que a sorte de se viver a eterna experiência,
De acordar todo dia e ver que você não é nada,
Neste mundo perigoso, jogo de carta marcada.

Elder Prior.