quinta-feira, 21 de janeiro de 2016

VIA SACRA



VIA SACRA 

Quebrando taças cheias de vinho,
Lágrimas do teu suor, sussurro de carinho,
Bocas que falam, gritam, se beijam, desaparecem,
Mãos laboriosas, se tocam, se encostam, se esquecem.

Já não há duplicidade, o oposto se tornou momento,
Onde cada lado, cada canto, cada gesto, se tornaram alimento,
Já não há cumplicidades, o universo conspira, inspira,
Energias libertas, a serpente da alma, o fogo da pira.

Lá estão, os movimentos, a dança de Shiva feliz,
Rezando, clamando pelas mãos da virgem, da noiva, da meretriz,
E chega a sacerdotisa enfeitada com suas curvas ondulantes,
Preparando o néctar dos deuses, a bebida dos hierofantes.

Se embriaga com as uvas e os pêssegos suculentos,
Prepara com seu composto, o elixir do domínio dos ventos,
A semente se espalha pelo campo fértil e macio,
Injetando vida pelos cantos, preenchendo o vazio.

Novas taças são postas, na imensidão da vontade,
Criando novos amores, transformados pela idade,
Já não há duplicidade, o momento não se opõe ao nada,
Lá está, a cor, o som, o cheiro e o toque da mão amada.

Elder Prior.

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