sábado, 17 de dezembro de 2016

FOLHA IV





FOLHA IV



Não vou mais me envenenar com a política mundial,

A nova ordem que se espalha feito um vírus letal,

Cansei de sofrer, procurar uma luz na saída,

Mas a colônia está entregue aos destinos da vida.



Vou me encontrar com os seres da natureza,

Com os entes escondidos atrás da beleza,

Buscar o aroma da poesia no canto da floresta,

Um reduto de paz e equilíbrio que ainda resta.



Vou me encontrar com a pureza das fadas,

Buscar a paz das criaturas aladas,

Viajar pelas fronteiras do desconhecido,

Enquanto o dia não tiver amanhecido.



Vou me acanhar com os mestres do mundo oculto,

Onde a idéia se envolve num vulto,

Criando um lugar onde a experiência é eterna,

Um novo útero, a Nuctis, a consciência materna.



Vou me ligar ao meu eu esquecido,

A voz do silêncio que cochicha em meu ouvido,

Tudo aquilo que sei e que faço que não sei,

Que esconde de mim mesmo, o que um dia serei.

domingo, 13 de novembro de 2016

FOLHA III




FOLHA III



Escondidas pelos cantos, ressequidas,

Mãos que não tolhem folhas embevecidas,

Assombrações transpassam a imaginação,

Deleitando o gosto da aparição.



Atrás dos muros, dos sepulcros eternos,

Vivem os santos inocentes do pensamento hodierno,

O anjo arcaico, arcanjo retrógrado,

Procura por algo que seja ainda sagrado.



Uma alma levanta alva, levada ao patíbulo,

Queimem a pena, impera no altar o turíbulo,

As correntes arrastam o condenado ao inferno,

Eis a sentença da lei ao mundo moderno.



Uma voz aclamada aos cuidados da pitonisa,

Respostas infundadas que a crença ainda canoniza,

Coribantes derretendo o metal áureo,

Procura frenética para aplacar o Centauro.



E numa noite, nem dormir, nem acordar,

Em estado de letargia deverá estar,

Entre dois mundos que separam a realidade,

Verás que somos parte de algo pela metade,

Há algo escondido lá fora, aqui dentro,

Onde não somos nada, e mesmo assim somos centro.



Elder Prior.

quinta-feira, 27 de outubro de 2016

FOLHA II






FOLHA II



Não se desencante com o que vê, cante,

Espere, inspire, respire, mude o semblante,

Coisas são passageiras das nossas emoções,

Pedaços do passado em nossos corações.



O futuro incerto é certo,

Não se sabe se longe ou perto,

Mas somos nós que desenhamos seu trajeto,

Desde a criação ao que se torna concreto.



Não tenha medo do que passou,

Nem daquilo que nem chegou,

Espero o amanhã com atitudes belas,

Não deixe o passado alimentar seqüelas,



No fim do hoje, é possível um belo amanhecer,

Com sementes que plantamos, que necessitam aparecer,

Sempre existe um novo caminho, uma nova opção,

Depois da tempestade, vêm atendidas, as preces da oração.



Sempre haverá uma chance de mudança,

E com o mundo, fazer uma nova aliança,

Mesmo que lá fora pareça estar tudo fora do lugar,

O que importa é o interior, onde o coração deve estar.

sexta-feira, 21 de outubro de 2016

FOLHA I



FOLHA I


A raiz do medo é a negatividade,

De olhar, com os olhos abertos, a realidade,

Acreditar que nada pode dar certo,

Com esta energia ruim que temos por perto.



As garras do medo somos nós que criamos,

Em nossa mente limitada, as alimentamos,

Um Cérbero acuado entre as engrenagens mentais,

Preso nas correntes das idéias atuais.



Pensemos positivo para o mundo mudar,

Esperança em uma energia que possa transformar,

Idéias gastas de uma consciência ultrapassada,

Mudar para a felicidade humana tão desejada.



Que toda humanidade possa pensar algo em comunhão,

Sem todas essas coisas que criam a sensação de solidão,

Sem o egoísmo que coloca diferenças onde não existem,

Na ausência de amor que os seres humanos não admitem.


Elder Prior.







segunda-feira, 4 de julho de 2016

ZEPPELIN DE CHUMBO




ZEPPELIN DE CHUMBO

Zeppelin de chumbo cruzando as massas cinzentas de fumaça,
Poesias misteriosas perante a lei de uma nova raça,
Símbolo maravilhoso, cruzava o céu imponente em seu traçado,
Sulcando as poesias com melodias de um poder desafiado.


Talvez o velho mago ainda sobrevive na revolução,
Nos sons uivantes de guitarras no compasso da nova canção,
A humanidade deixou seu uniforme para vestir-se de natureza,
Se enfeitar da loucura e da impermanência da beleza.


O mestre Dali enfeitou suas muletas com vivas cores,
Nuances de uma humanidade aberta às paixões e amores,
Quadriculou o mundo, o Picasso que vive além do externo,
Aquelas novas pessoas pertencentes ao mundo moderno.


Se ergueram das cinzas os demônios esquecidos,
A fumaça ardia nas narinas dos heróis escondidos,
Fênix alguma foi tão admirada quanto a águia solar,
O poder mágico que da ilha chegou ao continente por mar.


Os heróis foram mortos em guerra sangrenta,
Vencidos em sua luta por heroína ciumenta,
Restam lembranças nas cruzes deixadas no peito,
Lágrimas roladas na solidão, na penumbra do leito.


Elder Prior.

domingo, 15 de maio de 2016

PEDRA SOBRE PEDRA





PEDRA SOBRE PEDRA

As pedras ruíram, as trombetas se emudeceram,
Os anjos foram embora, as vistas se escureceram,
E o pedreiro busca nos escombros o que ainda resta,
Partes da verdade, pedaços do que ainda presta.

Nossas cascas espalhadas em restos de ciência,
Transbordando em palavras e discursos de grande eloquência,
Deixando aquilo que envelheceu para assentar a pedra angular,
De um novo tempo que ajudamos despertar.

O ancião olha o tempo precioso passar rapidamente,
Como um filme, sua vida se dissolve em sua mente,
Enquanto o jovem desdenha do tempo perdido,
Entre novas paixões e o coração iludido.

Mas não há nada de novo debaixo do céu infinito,
Dizia Salomão, o sábio que se tornou um mito,
Que entre todas as riquezas escolheu a Sabedoria,
Sabia que o ciclo do mundo se reciclaria.

E estamos nós hoje, neste mundo insano,
Acreditando sermos algo mais, de outro plano,
Cada um, planejando se tornar deus de si mesmo,
Caminhando dentro de si, procurando a esmo.



sexta-feira, 13 de maio de 2016

TREZE

h
ttp://macaubasonoff.com.br/media/2014/08/5231c5f317610100104578.jpg

TREZE

Dizem que o número treze dá azar,
E no Tarô, vem a morte encarnar,
Sublime, ceifando o que passou da hora,
A vida lhe engole, suas raízes devora.

Dizem que é treze, o pobre louco do hospício,
Mas alguns ainda são aplaudidos de início,
E quando se descobre a loucura tardia,
Começa uma procura pra atacar a agonia.

Mais qual é o azar de se ter sanidade,
Neste mundo onde impera a calamidade,
O azar é exercício da loucura criada,
Nos dados jogados numa jogada viciada.

Dormem os loucos na loucura dos sãos,
Tomando choque dos seus irmãos,
Ainda bem que ainda ninguém notou,
Para o hospício ainda não vou.

Talvez seja melhor o azar da demência,
Do que a sorte de se viver a eterna experiência,
De acordar todo dia e ver que você não é nada,
Neste mundo perigoso, jogo de carta marcada.

Elder Prior.

sábado, 23 de abril de 2016

VAGANDO PELO PURGATÓRIO



VAGANDO PELO PURGATÓRIO

Inspira-me, ó Calíope, assim como o velho poeta,
Me alimentando das palavras que servem à sua dieta,
E no amor dos caminhos confusos, perdidos,
Encontre o poder de vencer os temores esquecidos.


Um Eremita escondido atrás do Cruzeiro do Sul,
Trazendo a luz diante de um céu azul,
O caminho, pela visão, se abre na escuridão sem fim,
Enquanto alegra-se da cena, o velho Serafim.


Eis que a morte espreita cada passo humano,
Desde o equilibrista no fio, ao gladiador insano,
E na liberdade de passos dados, procurando a razão,
Fugimos da vida, dando ao tempo dedicação.


Não olhe com a visão de pensamentos nocivos,
Dos cães que despedaçam os corpos vivos,
Procurando a marca negra que em Caim ficou,
Por causa do único valor humano que violou.


O deserto se abriu e o chão virou lama,
O rócio faz surgir árvores e a mata profana,
Onde dançam as fadas seduzindo as emoções,
Cantam as Ninfas, penetrando nos corações.


As ondas cospem o sal de volta para a areia,
E o mar dança triunfante com a canção da sereia,
Calíope e as Ninfas correm pelo infinito,
Alimentando os espíritos no eterno rito.


Elder Prior.

VENENO ÍNTIMO




VENENO ÍNTIMO

A boca é um destilador de pensamentos,
Venenos e açucares dos momentos,
Da boca sai o ato negro da magia,
Ou palavras de carinho e alegria.


Uma faca de dois gumes afiados,
Corta os pensamentos duplamente criados,
Entre os pratos da balança da razão,
Entre o ódio e o amor que vivem no coração.


Fuja de mim, pensamentos malignos!
Que venha inspirações de elementos dignos!
A alma busca o alívio de seu peso,
Entre a atenção lapidada e o profundo desprezo.


A boca se limpa e se abre em sorriso,
Com amor e liberdade de um caminho preciso,
Onde a língua envolta pela serra de dentes,
Se prepara para exalar as notáveis mentes.


O veneno bem dosado pode ser remédio,
O açúcar mal utilizado é apenas assédio,
A serpente não morre pelo veneno que traz,
A abelha não produz mel com o veneno que faz.


Elder Prior.

sábado, 13 de fevereiro de 2016

A MOEDA DOS LOUCOS


                                     https://vidareal.files.wordpress.com/2013/08/twitter-com_abandonedpics_status_373085232729448448__bs13ctyiaaasqay.jpg?w=1024&h=755

A MOEDA DOS LOUCOS

Disseram que o mundo foi criado em sete dias,
Mas que um dia, será destruído com epidemias,
Talvez os zumbis ganhem vida eterna,
Numa total escuridão, presos entre as paredes de uma caverna.

Os santos sonham com salvadores de outro lugar,
Do céu, do inferno, de outro planeta, alguém a se importar,
Religiões foram criadas para o espírito, regadas com prata e ouro,
Palavras de fé e devoção, espantando o mau agouro.

A massa enlouquecida compra ideias da linguagem,
Os loucos profetas recebem para pregar a falsa imagem,
Dizendo o absurdo que você deve acreditar,
História, ciência, filosofia, crença milenar.

Os loucos espalham suas moedas e todos recebem,
O elixir da vida escassa, da taça que todos bebem,
Onde o destino é criado por uma besta abismal,
Não há livre arbítrio, somente o lado animal.

As luzes do futuro mostram além da escuridão,
O caminho além da caverna, a liberdade da escravidão,
As moedas ainda pagam para apagar sua mente,
Que acredita na loucura, na dádiva da ignorância contente.

E a moeda dos loucos constrói pirâmide colossal,
 Guardada e aceita pela esfinge de sal.

Elder Prior.

 


quarta-feira, 3 de fevereiro de 2016

LÊ-TE A TI MESMO




LÊ-TE A TI MESMO

Onde vais tu? Esbelto espírito criado do barro vermelho,
Soprado com aquele vento que sopra onde quer,
A imagem e perfeição de um mágico espelho,
Dividido em suas equações, em homem e mulher.

Onde escondes a morte que caminha ao teu lado?
Te afagando carinhosamente entre os suspiros do coração,
Jamais o horizonte a ti será revelado,
As tintas e as cores estendem a ilusão.

Leia aquilo que foi escrito em tua alma,
Quando querias criar algo além da lenda,
Palavras guardadas nas linhas desenhadas com calma,
O verbo que cria e tece, teias de renda.

Onde vais tu? Esbelto espírito batizado de luz dourada,
Ungido pelo coração puro que busca a união, o amor,
Buscando sua parte escondida, sua alma adorada,
Leia nas entrelinhas a voz do silêncio aliviando a dor.

Elder Prior.

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2016

ESCALA PENTATÔNICA





ESCALA PENTATÔNICA

Os cinco guardiões alinhavam as fileiras da fronteira,
Um deles, lança do arco, a íris da flecha certeira,
Aponta o caminho e o fim, inutiliza o tempo, o espaço,
Partículas ou ondas, observadas em seu ritmo, seu compasso.

As fileiras se movimentam, um jogo de sabedoria,
Guerreiros se observam, a estratégia faz raiar o dia,
No colégio dos artistas, Bardos desenham nos campos de trigo,
Desenvolvem círculos sagrados para afugentar o perigo,

Escudos protegem do raio fulminante da lembrança,
Transformando em idoso e decrépito, quem já foi criança,
No quadro o retrato não mostra suas novas rugas,
Seu caminho não propicia mais, outras fugas,
Os guardiões vieram te buscar,a viagem começou.


ELDER PRIOR




quinta-feira, 21 de janeiro de 2016

VIA SACRA



VIA SACRA 

Quebrando taças cheias de vinho,
Lágrimas do teu suor, sussurro de carinho,
Bocas que falam, gritam, se beijam, desaparecem,
Mãos laboriosas, se tocam, se encostam, se esquecem.

Já não há duplicidade, o oposto se tornou momento,
Onde cada lado, cada canto, cada gesto, se tornaram alimento,
Já não há cumplicidades, o universo conspira, inspira,
Energias libertas, a serpente da alma, o fogo da pira.

Lá estão, os movimentos, a dança de Shiva feliz,
Rezando, clamando pelas mãos da virgem, da noiva, da meretriz,
E chega a sacerdotisa enfeitada com suas curvas ondulantes,
Preparando o néctar dos deuses, a bebida dos hierofantes.

Se embriaga com as uvas e os pêssegos suculentos,
Prepara com seu composto, o elixir do domínio dos ventos,
A semente se espalha pelo campo fértil e macio,
Injetando vida pelos cantos, preenchendo o vazio.

Novas taças são postas, na imensidão da vontade,
Criando novos amores, transformados pela idade,
Já não há duplicidade, o momento não se opõe ao nada,
Lá está, a cor, o som, o cheiro e o toque da mão amada.

Elder Prior.

terça-feira, 19 de janeiro de 2016

A JANELA





A JANELA

Seus pensamentos esbarram no vidro da janela,
Olhando lá fora o brilho do sol, o obscuro se revela,
Nas sombras estão as chaves que abrem as portas,
As coisas guardadas, que você achava, estarem mortas.


Gravadas as palavras de sua mente criadora,
Atrás dos véus de sua matrona protetora,
Abra o livro nebuloso das atitudes escondidas,
Dos erros cobrados por coisas não vividas.


O diamante que corta o vidro se esconde no coração,
Guardado num baú entre as relíquias da paixão,
Deixado de lado, num canto empoeirado do passado,
Esperando um dia, pela luz do sol, ser iluminado.


Os pássaros cantam no meio das flores,
Afinados ao som da luz e suas cores,
Trazendo aos frutos seus diversos sabores,
A criação exalando os diversos amores.


O vidro da janela pode ser quebrado,
Abrindo a porta para o que há do outro lado,
Como seria pensar além do que conhece?
Ter fé e criar tudo aquilo que acha que merece?


Elder Prior.