domingo, 26 de julho de 2015

SANSÃO




SANSÃO

Eu tinha a força de mil leões,
Vivia um mundo cheio de ilusões,
Como se fosse um guerreiro imortal,
Com um poder nas mãos, que era fatal.

Mas como todo mundo tem uma fraqueza,
A Dalila dos meus sonhos, burlou com esperteza,
Meus pensamentos se perderam nos seus lábios,
Como sempre, enganando os sábios.

Fiquei cego, acorrentado aos meus vícios,
Aqueles que eu acreditava não ter indícios,
Somente acreditei quando o fel provei,
Burlando em minha fraqueza, a força da lei.

Derrubaste sobre mim o peso do mundo,
Um Atlas sem moral, um Sansão do pecado oriundo,
Perdido nos escombros de uma mente ferida,
Pelos beijos e abraços da minha Dalila querida.

Empurrei os pilares que sustentavam minhas ruínas,
As trombetas tocavam as várias obras divinas,
Escrevendo em minha tumba esquecida,
"Aqui jaz, mais uma alma iludida".

Elder Prior.

sábado, 18 de julho de 2015

PITONISA



PITONISA

Me perco em seu olhar que me hipnotiza,
Assim como a embriagues de uma pitonisa,
Que prevê em mim os anseios, o amor,
Fazendo com que minha face chegue ao rubor.

Como podes, me descrever tão fácil, em seu olhar,
Sabendo os desejos, que eu estou a te cobiçar,
Uma vontade que invade os sentimentos,
Que faz mudar a direção dos meus pensamentos.

Suas mãos macias e leves, me levam pro outro lugar,
Me tocas como se tocasse uma canção para sonhar,
Volto no tempo, outras eras, outras histórias,
Que com seus olhos, me faz trazer estas memórias.

Amores que se cruzam como a vida que estou imerso,
Ou como as palavras que se rimam num verso,
Transformando os momentos em belas canções,
Trazendo sempre as mais belas recordações.

Tudo já estava escrito nos oráculos do destino,
Mas sei que posso criar, um novo caminho defino,
Um caminho circular, para sempre, poder voltar,
Pela mesma vida de antes, poder novamente te amar.

Elder Prior.





quinta-feira, 9 de julho de 2015

A BARCA DO SOL




A BARCA DO SOL

A barca parou na beira do céu,
Onde a terra encobre o horizonte com o véu,
Preparando os lençóis de uma noite estrelada,
Abrindo mais uma vez a mente encarcerada.

E a barca me convidou para sair e viajar,
Pelos mundos distantes, que jamais pensei encontrar,
A barca que carrega a alma em sonho profundo,
Ou aquela que para o inferno, leva o mal do mundo.

Uma moeda ao hábil barqueiro,
Que atravessa a noite em seu caminho ligeiro,
Navegando com as almas pelas águas do Aqueronte,
Ou levando o Sol pela noite, para criar a aurora no horizonte.

Saio com meu traje de luz pra conhecer os universos,
Lugares maravilhosos que não caberiam em versos,
A barca vai parando em lugares desconhecidos,
Trazendo à bordo os que por Caronte foram escolhidos.

Somente vivem os que não temem a morte,
Porque sabem que dividirão a mesma sorte,
E que um dia, quando menos esperar,
Verá que é sua vez de no barco embarcar.

Elder Prior.