sexta-feira, 12 de dezembro de 2014

PEDRA FILOSOFAL




PEDRA FILOSOFAL 

O cristal fundiu-se, no meio do nada surgiu,
O coração se queimou, o mau espírito fugiu,
As sombras se levantaram entre os lençóis,
Os sons emanaram dos caracóis.

O mercúrio tentou transformar chumbo em ouro,
Por aquele homem, indecifrável em sua roupa de couro,
Entre ácidos e soluções, sem resposta real,
Buscando entre a fuligem, a pedra filosofal.

Em sua mente, pende a pedra pineal,
Loucura ou paixão, por mais um ideal,
O conhecimento lançado entre as chamas.
Oh, clérigo!
Isto que religião chamas?

E aquele que viu, escondeu para não enxergar,
Como os que viajaram sem rumo ao navegar,
Pagando suas moedas ao barqueiro do inferno,
Criando dívidas, dúvidas, num padecer eterno.

Elder Prior

MARGARIDA





MARGARIDA

Oh, Margarida!
Porque estas tão triste?
Já, ninguém tem mais olhos para ti?
Onde foi que perdeste tua beleza?
Transformando suavidade em aspereza?

Oh, Margarida!
Que um dia enfeitaste o jardim,
O que aconteceu com sua luz, com sua cor marfim?
Te procuram pelos cantos e não encontram mais,
As canções se esqueceram de ti, já não satisfaz.

Quem sabe se alguém, ainda vê em ti, amor,
Uma chispa de claridade, lhe dê valor,
Aquele que um dia juraste ter no coração,
Que, como todo canto, era ilusão.

Agora, tornou-se planta de plástico,
Formando buquês, presa com elástico,
Enfeitando o concreto de shoppings e passarelas,
Sua tinta se perdeu, fugiu das aquarelas.

Oh, Margarida!
Quem sabe um dia seja feliz,
Retire de suas pétalas, esta vontade que diz:
"Fui feliz e não sabia! Quando o Sol clareava meu dia"
Quando o dia acabava e você ainda sorria.

Elder Prior 

GIRASSOL


GIRASSOL


Em seu mundo solitário em busca de luz,
Ninguém entende seus gestos, sua cruz,
Gira o mundo procurando o Graal sagrado,
Mal sabe ele, que no coração está guardado.

Suas sementes se espalham pelo horizonte,
Sua energia alimenta, pois, vem da fonte,
Esta fonte que agrada todos em proporção igual,
Do homem dito civilizado, ao que vive em condição tribal.

E vai ele, o girassol dos mundos sagrados,
Correndo, estacionado, procurando aliados,
Pássaros, almas, querem um pouco da verdade,
Transformar o mundo, buscar a felicidade.

Suas pétalas coloridas, áurea, aura, límpida,
Se espalha pelo chão, com o grão e a chuva,
Nas águas, nos cristais, na neve, pureza vívida,
Acariciando com luz os belos cachos de uva.

No horizonte está seu caminho, no entardecer,
Chamando a hora do mundo se recolher,
Resgatando suas forças para outro amanhecer,
Camponeses, moradores de cidades, natureza, irão agradecer.

Elder Prior