segunda-feira, 23 de dezembro de 2013

DIONISIUS





DIONISIUS

Estavas tão linda, naquela festa, iluminada,
Com seu vestido verde, sua pele acetinada,
Uma tatuagem de borboleta nas costas,
Asas abertas, pernas, uma beleza à mostra.

E um jovem Bardo, correndo os olhos pelo salão,
Estavas tão linda, com uma taça de vinho na mão,
E Dionísio sussurrou ao meu ouvido:
_Amigo Bardo! Dos licores, o amor é o meu preferido!

Com seu poder de inebriar as jovens donzelas,
A mim embriagou, com o licor de uva tão bela,
E o êxtase de vida caminhou entre as curvas,
Longe estávamos numa campina escura, turva.

E como um jovem que nunca provou tal licor,
Se enamorou pelo desejo deste seu amor,
E cúmplices de Dionísio fomos querendo,
Afinal, coisas se atraem, ouvindo o atrito, gemendo.

A festa chegou ao seu final,
Voltou para o vestido, guardou o cálice divinal,
A borboleta voou entre as pernas do céu,
_Obrigado Dionísio! Por me ter aberto este véu!



EROS E ANTEROS



EROS E ANTEROS


Muito nos atrai,
Mas, muito nos trai,
E o poder de atração pode fazer o milagre,
Ou transformar o vinho em vinagre,
Que embeberá a boca amargando a sede,
Será uma aranha construindo sua rede,
Sua prisão de pensamentos que atraiu, e nos traiu.

Mas Eros não é tão cruel, muitas vezes levanta o véu,
E vemos que a vida não é tão difícil de entender,
Temos somente, que dar uma pausa neste correr,
Porque Eros só pode nos alcançar quando paramos,
E enxergamos o que fizemos ao longo dos anos.

O que o irmão Anteros nos fez deixar no passado,
Aquilo que Eros jamais verá no futuro recuperado,
Vamos caminhando na eterna luta de Eros e Anteros,
Com os dons de atrair e repudiar da vida, os elos,
Alguns que nos fizeram crescer e ver atrás do horizonte,
Outros que  nos fizeram perder a pura água da fonte.

No meio do jardim, a flor é eternamente plantada,
Uns querem o cheiro da rosa, exuberante e perfumada,
Outros preferem os espinhos e os tropeços pela estrada.

sexta-feira, 6 de dezembro de 2013

PEDRAS NO CAMINHO




PEDRAS NO CAMINHO

Pedras soltas no caminho, num mundo sozinho,
Pisoteando o orgulho ferido, de um leão que pensa ser Rei,
Mas o que existe de tão triste na beira do caminho?
As pedras realmente falam, línguas esquecidas,
Que outros povos um dia compreenderam,
Mas os locais, jamais serão os mesmos,
E as pedras do agora já foram os castelos de outrora,
Os ossos enterrados na areia foram grandes reis,
E tudo passou pelas areias da ampulheta,
A sabedoria transformou-se em cinzas,
De uma fênix que não soube voar,
Ideias e mensagens que se perderam no tempo,
Ou, que foram, por sacerdotes, escondidas nos templos.

Pobre humanidade que se acha o centro do Universo,
Não enxerga que a imagem do espelho é o inverso,
E os demônios são soltos pela ganância de engolir o tempo,
De beber o vinho posto no sumo da árvore,
Que fica, no meio do Jardim das Hespérides,
Onde chora o dragão, e se senta pensativo o Buda,
Onde crucificam o Cristo, e se esquecem de Deus.


IGNORÂNCIA - AVIDYA



IGNORÂNCIA - AVIDYA

Um dia parei pra pensar neste mundo imenso,
Que não cabe num pedaço desconfiado do que penso,
Em seu movimento perpétuo, seu ritmo sutil,
Uma respiração de um universo que a mim surgiu.

E os meus pensamentos seguindo a mesma sintonia,
Com velocidade, querendo atropelar a alma que esvazia,
E que se enche em fontes vindas de um jardim,
Distante deste mundo veloz, tão próximo do fim.

Onde irão estes mundos em seu caminho infinito?
Onde vai o pensamento que nunca foi dito?
Os números se espalham pelo mundo que vemos,
Somam, subtraem, multiplicam, dividem, o que não percebemos.

Somos partículas de poeira, frente ao espaço existente,
Cada uma em seu próprio caminho, dentro de suas mentes,
Obcecados pela ilusão de que se é algo diferente,
Não enxergando quanto de tudo e de todos, somos dependentes.

( baseado num antigo texto do Budismo Tibetano)