sábado, 30 de novembro de 2013

OCCULTA PHILOSOPHIA



OCCULTA PHILOSOPHIA

O velho mago esqueceu do azeite da lanterna,
Comprou fumo de corda, fósforos e pão,
Deu de presente um vinho ao bardo louco,
Pela paciência de esperar, na agitação, a calma.

Na loucura, o bardo roubou os pensamentos mágicos,
Espalhou pelo mundo, criando monstros sagrados,
Unicórnios saltitantes, Elefantes falantes, Demônios aterrorizantes,
Recolheu de todos uma semente pra criar o Alcahest.

E nas noites, enquanto as bruxas realizam seus sabás,
E outros se inspiram, nos suspiros das virgens,
Lá está o velho mago, acendendo a lanterna imortal,
Lá está o bardo louco, fazendo uma ode às musas.

Se alimentam do vinho criado na retorta,
Olham para o futuro em sua Pedra Filosofal,
Usam o Santo Graal para recolher o rócio do céu,
Orações e grimórios, chamando, clamando, outro lugar.

Algo passa piscando, brilhando na noite,
Seria um astro, um anjo, uma bruxa, um disco voador?
Acredita o astrólogo, o religioso, o mago, o ufólogo,
Nas teorias, que de tantas teses, antíteses, sínteses,
Tornaram-se reais.

Elder Prior. 29-11-2013

CHUVA TRISTE







CHUVA TRISTE

A chuva cai lá fora,
Lágrimas do céu, nuvens em pranto,
Na solidão, pela janela, sozinho em meu canto,
Canto de saudade de tua voz nos ouvidos,
Seus sussurros, suas risadas, seus gemidos.

A garoa não quer parar,
Gotas úmidas que a alma refrigeram,
E o frio umedece os pensamentos que esperam,
Se apressam em buscar sua bela imagem,
Daquela fotografia de sua última postagem.

As folhas colheram seu pranto,
O pranto de quem longe ainda recorda,
E no coração triste, de amor transborda,
Sente a dor presa em seus sentimentos,
Riscando na alma, palavras e juramentos.

Caíste molhando o chão,
Não me levante da lama, não faça caridade,
Apenas deixe fluir com suavidade,
O lamaçal um dia estará verdejante,
Repleto de flores e pessoas de andar elegante,
Estarei na sombra de um velho Ipê,
Esperando outra chuva, esperando você.



Elder Prior.

MIXÓRDIA 22




MIXÓRDIA 22

O templário perdeu sua cruz na escuridão vermelha,
A chuva levava os ácidos que corroíam a morte,
Mudanças que o mico adestrado não enxergava,
Enquanto não sabia a função do espelho.

Acenderam velas em busca de alguma santidade,
Mas o rio levou consigo as últimas espadas,
Lá no alto da montanha sorri o condor,
Sabe que seu alimento rasteja entre a relva.

Pobre homem que acredita na embriagues,
Uma taça molhada de veneno mortal,
Um anjo decide tocar a musica do silêncio,
Uma melodia que derrubou muralhas.

Enfim, uniu-se sob um só nome,
Um guardião que se banha na juventude da fonte,
O cavalo alado traz sobre si o mensageiro,

Abrindo a porta selada do novo amanhã.

sábado, 23 de novembro de 2013

A POÉTICA MUTAÇÃO - APROXIMAÇÃO ( A LANTERNA DO CEGO)




A LANTERNA DO CEGO

Parábolas que explicam para não se entender,
Palavras compradas que não são pra vender,
O orador impõe sua métrica falsa,
Com sua poesia, sua voz realça.

Aproximam-se dele os iludidos,
Pela mágica das palavras, confundidos,
Já não pensam, preferem a manipulação,
Ser apenas um grão no meio da multidão.

Aproximam-se dele os convictos,
Os que já deram antecipados vereditos,
Tudo é verdade, foi o que testemunharam,
Toda mentira dispersa, presos os que caluniaram.

Mas o gosto da cicuta amarga na mente,
Cada qual, com sua certeza, sabe o que sente,
A voz da consciência vem e te condena:
_Deixa a hipocrisia! Vem cumprir sua pena!

E eu, com minha pena na mão,
Uma alma penada no meio da ilusão,
Meu sangue, como tinta, uso para escrever a vida,
Se aproximando do fogo para cauterizar a ferida.

Parábolas engasgam em minha garganta,
Palavras que aprendi, você não se levanta,
Jaz como uma lampada que perdeu a energia,
Acreditou na lábia da falsa magia.



terça-feira, 19 de novembro de 2013

A POÉTICA MUTAÇÃO - O RETORNO





Sei que andei sem saber direito pra onde ir,
Sai, sem vontade de dizer que ia partir,
Meu coração partido me desejava uma mágoa,
Na pureza de meu sentimento por ti, sem mácula.

Subi pelas montanhas que imaginei vencer,
Mas somente andei sem destino, sem perceber,
Desci aos vales escondidos pela floresta,
Procurando aquilo que dentro de mim, ainda resta.

Vou voltar, depois de voar com asas de cera,
Vou trazer minha alma cansada de tanta besteira,
Talvez a viagem que fiz por lugares distantes,
Estão todas anotadas nos escritos dos instantes.

Vou voltar, depois de gastar meu último pantáculo,
Descobrindo que a vida é um imenso espetáculo,
Onde sou apenas o bobo em sua cena grotesca,
Se queimando ao Sol, sonhando com sombra e água fresca.

Agora, piso nas folhas espalhadas pelas estradas,
Estão todas secas, as flores se perderam das fadas,
E no silêncio ando, retornando de onde saí,
Sabendo agora, meu lugar de direito é aqui.