segunda-feira, 9 de setembro de 2013

TAÇA DE CRISTAL




TAÇA DE CRISTAL



Dei-te uma taça do mais fino e puro cristal,

Onde havia meus pensamentos e sentimentos livres do mal,

Onde depositei minha realidade mais escondida,

Dei-te o melhor de mim e o desejo da vida.



Mas fizeste da taça apenas um repositório de cinzas cheiradas,

Um incensário vazio, misturado com óleo barato,

Daqueles que derramam e engorduram o prato,

E fazem a balança pender do lado das coisas impensadas.



Misturaste as ondas e o barulho do vento,

Dentro da taça vazia para gerar o tormento,

Que na penumbra dos dias se perde nos seus olhos frios,

Derramando o sal nas águas doces dos rios.



Melhor seria ter-te dado um copo de vidro barato,

Que se dissolve na areia deste mundo ingrato,

Sem beleza para conformar aqueles que realmente sabem o que é o amor,

Para aqueles que sabem no que se tem que dar valor.



Mas agora é tarde, o tempo das chuvas se foi com as brumas,

E o frio na janela bate querendo entrar em minha alma,

As lembranças ficaram, algumas,

Nesta tarde gelada, tranquila e calma.

Nenhum comentário:

Postar um comentário