terça-feira, 27 de agosto de 2013

OLHOS MIÚDOS




OLHOS MIÚDOS

Estes olhos miúdos que me olham,
E me levam ao templo da perdição,
Os meus olhos os teus olhos buscam,
E a paixão incendeia o coração

Este teu sorriso me fascina,
Como uma flor que encanta a abelha indecisa,
Você com seu jeito de menina,
Mulher que me acende quando a alma precisa.

E tudo tão longe fica na proximidade do calor,
Nada mais existe neste momento de amor,
O passado passa, o presente some, o futuro acontece,
O tempo não existe, das tristezas se esquece.

Venha me encantar com seus olhos de princesa,
Venha me encontrar, me coroar com delicadeza,
Seremos os reis de nossos castelos floridos,
Num mundo cercado de amor e sorrisos colhidos.

PEREGRINO




PEREGRINO

Meu coração peregrino que anda pelos vales da vida,
Com idéias na cabeça e a alma dividida,
Entre o mundo em que me embriago,
E o mundo que acaricio com doce afago.

Mas longe, distante estão entre si,
Duas visões distintas de tudo que vi,
E verei ainda com a s lentes mágicas da alma,
Com a consciência liberta pela calma.

Sentir o vento de coisas novas que crescem,
Num mundo que não para, idéias florescem,
E aqueles que se prendem ao passado não verão,
Estarão trancados nos velhos cadeados da solidão.

Uma solidão que não é o ato de estar só,
Mas ficar preso em coisas que já viraram pó,
Em coisas que são apenas lembranças de um caminho,
As últimas palavras escritas num pergaminho.

Se embriagar com aquilo que é novo,
Quebrando a casca e saindo do ovo,
Por enxergar o imenso sol que te ilumina,
Antes que seu tempo passe na sua vida pequenina.

OLHOS NEGROS




OLHOS NEGROS

Vestida de negro, olhos negros, iluminada,
Andava macio, um beijo vazio, alucinada,
Algo de triste, te feriste, como uma adaga,
Talvez um amor, um prestidigitador, uma mágoa,
E seus caminhos, sinuosos e sombrios, passeia,
Olhar vago, sem vida, muda sereia.

Erga-te e veja que ainda existe a lua cheia,
E que a viúva negra continua tecendo a teia,
Inóspita no meio de tanta maldade,
Não te deixam ser o que você é na realidade.

Mas um dia a sereia vira fada,
Por um grande amor, sem trevas, será acariciada,
Um beijo, a bela adormecida dos sonos profundos,
Descobrirá a felicidade e a alegria, enxergando novos mundos.

E os olhos negros se iluminarão,
Seus vestidos, muitas cores terão,
Dançarás aos sons de faunos e bardos,
Ouvirás os sons das esferas de dias estrelados. 

A MONTANHA




A MONTANHA

Subindo bem perto do infinito,
Onde o céu beija a terra em seu rito,
O Sol suspira o alento da vida,
A terra germina sua mágica colorida.

Eu toco o céu com um dedo,
Novo Michelangelo buscando um segredo,
Abrindo entre as nuvens obscuras da mente,
Uma luneta que observa com mágica lente.

Lá está, aquilo que está escondido,
Tão perto e tão distante do hálito expelido,
E sinto meu corpo dentro de tudo que vive,
E sinto que tudo vive dentro daquilo que retive.

A consciência de que posso subir a montanha,
Tornar o acesso fácil por uma estrada estranha,
E os que vierem depois, encontrem lugares marcados,

Onde possam descansar seus pensamentos sagrados.

COLIBRI




COLIBRI

Ouço sua voz nas gotas da chuva,
Dizendo-me que sente saudades,
Mas a saudade diz que a vida dá voltas,
E nem sempre gera a felicidade,
E os desejos se escondem dentro de um grão,
A pedra no sapato de qualquer cidadão.

Não me olhe com seus olhos de pimenta,
Feito ave agourenta,
A saciar seu desejo de me degustar,
Como um prato de especiarias vazias.

Um leito de colchas retalhadas pelo tempo,
Penso no que sinto pela vida,
Que traz a felicidade nos momentos,
E demora passar com a tristeza,
Nos cantos dos pássaros mórbidos,
Na suavidade de uma borboleta,
Tu estás, me vigiando em seu coração,
Querendo voltar no tempo dos castelos e fadas,
Das velhas idéias por mim exageradas,
Nas regras quebradas,
Na vida que ficou num mundo que passou,
E que no triunfo de chegar no futuro,
Na história escondida tropeçou. 

quinta-feira, 15 de agosto de 2013

ESPINHOS




ESPINHOS

Espinhos de rosa perfuram meu coração,
Com pensamentos de amor e ilusão,
Que se acaba como uma pequena canção,
E a ilusão se vai pelo caminho do carinho.

Sei que neste trajeto não estou sozinho,
E a beleza singela se escondendo no cheiro da rosa,
Mas encanta em suas cores penetrantes,
Que penetram em profundo desejo de amar.

DEUS ANDA NU




DEUS ANDA NU

Vou por aí vencendo meus sacrifícios,
Criando as luzes que iluminam os orifícios,
Nas entranhas da minha mente inquieta,
Em devaneios, minha vida agitada arquiteta,
Buscando a beleza da vida escondida em detalhes,
Nos pormenores deste mundo criado nos entalhes.

Suas maravilhas observadas como uma fotografia de paisagem,
Refletindo Deus escondido dentro de sua imagem,
Um Deus que não faz questão de que o vêem com tantas roupagens,
Mas na verdade anda nu, brincando com o céu, semeando as pastagens.

Se sacrifica pelo mundo que continua cego,
Perdido em seus vícios, dominado pelo Ego,
Abrindo portas de luz que ofuscam as almas,
As mentes apressadas em suas mortes calmas,
Sorvendo o elixir da vida com ansiedade,
Engasgando com as verdades nos entalhes da realidade,
Que se escondem na luz que chega na aurora,
E mostra o rosto apenas na derradeira hora,
Lhe dizendo que nada adiantou se esconder,

Pois as folhas da uva são pequenas para sua mente conter.

ARCO IRIS




ARCO IRIS

Morremos a cada dia escolhendo nossos caminhos,
Por uma estrada que construímos, além do muros vizinhos,
A terra árida, que deixamos da arar para semear,
Com atitudes e palavras para exercer o verbo amar.

No semblante a insegurança para escolher por onde ir,
Como ajudar fazer algo novo, uma nova ideia construir,
Mas para o novo surgir o velho deixa de existir,
É uma pena amarga que ninguém quer possuir.

Morremos a cada dia procurando novos caminhos,
Destoando de nossas ideias e fugindo dos nossos ninhos,
Somos pássaros emplumados procurando um novo horizonte,
Nele a paz tão procurada, no fim do arco íris, nas águas da fonte.

Os poderes jamais encontrados nas palavras escondidas,
Nas mentes mortas pelo tempo em cantos esquecidas,
Ideias que buscam uma montanha para escalar,
E lá de cima acender uma lanterna para iluminar.