quinta-feira, 27 de junho de 2013

SÍMBOLO DO INFINITO




SÍMBOLO DO INFINITO

Sete dias de criação e vivemos o oitavo,
Harmonia Universal, libertação do escravo,
No oitavo dia se faz a circuncisão,
Oito velas em oito dias para a Festa da Dedicação.

Oito profetas descendentes da prostituta,
E quem é justo trava com ela a luta,
Não se nasce no oitavo mês de gestação,
Apenas Dionísio, embriagado de ilusão.

Oito almas salvas na arca noética,
Oito bem-aventurados na história evangélica,
Duas cruzes que se equilibram,
Os nobres caminhos que no Budismo ensinam.

No octógono se travam novas lutas,
Deitam ao infinito um símbolo, uma Runa,
Novos guerreiros, novas luvas,

Novo mundo atrás da leve bruma.

O VOO DA ROLINHA




O VOO DA ROLINHA

Quantas são as vezes que se ouve dizer,
Que tudo que acontece, tem que acontecer,
E enquanto as coisas acontecem neste mundo,
Devemos nos adaptar.

Hoje já não se vê as andorinhas no céu,
Provaram na extinção a amargura do fel,
Enquanto sumiam davam lugar às rolinhas,
Num voo de adaptação.

O voo da rolinha nos céus da cidade,
Mostra-nos que no mundo não tem eternidade,
Enquanto houver rolinhas no céu,
Sabemos que ainda podemos viver.

Longe das roças e plantações,
Buscar na cidade suas guarnições,
Nos restos dos homens buscar sua vida,

Buscar a doença chamada, criação.

CAMINHANDO E PLANTANDO




CAMINHANDO E PLANTANDO

Nos caminhos da vida espalhei as sementes,
As primícias de uma nova vida,
Cansado de apenas andar nas vertentes,
Decidi estancar minha ferida.

Meu caminho cheio de pedras e espinhos,
Devo preparar para a terra cultivar,
Assim como os pássaros fazem seus ninhos,
Devo eu minha terra semear.

Depois de plantar em tal terra árida,
As águas do Céu devem entrar em seu meio,
Pois, sementes, pelas energias do céu estão ávidas,
Ali que preparam seu leito, seu seio.

Vem! Vamos embora! Dizia o poeta.
Esperar não é Saber,
Caminhando e plantando se faz acontecer.

A ESPERANÇA É UMA ESTRELA




A ESPERANÇA É UMA ESTRELA

A esperança brilha nos raios fúlgidos do Sol,
Assim como no romantismo magnético da Lua,
Porém, vive dentro de uma estrela maior,
Vive dentro de cada ser chamado Homem.

Esperança é tempo que vive para gerar fé,
Com fé a esperança é a última que morre,
Não é como as luzes do arrebol,
Que preferem uma verdade crua.

As montanhas se movem e o mundo até,
Gera novas idéias que ao homem socorre,
Mas sem esperança de uma estrela maior,
Vive dentro de um ovo, o homem.

A esperança é uma estrela que vive no tempo,

Fazendo com que o homem cultive a fé.

SANTO GRAAL





SANTO GRAAL

Um cavaleiro sai pelo mundo em sua busca,
Mas o sangue continua no rito sagrado,
Na beatitude que a religião ofusca,
No Graal pagão, império conquistado.

E o Parsifal ingênuo sai em busca do que já tem,
E que outros cavaleiros olham com desdém,
O Lancelot prefere a beleza da rainha,
Guardando a Excalibur na bainha.

O Graal é marcado pelo sangue real,
Do cavaleiro que ao mundo é leal,
O mundo de Artur sede ao novo mundo,
Em Avalon dorme sono profundo.

Acordai! Príncipe das Brumas!
É hora de reconquistar a Beleza!
Erguei a Taça, jogue as Runas!
Que o novo mundo surgiu na certeza.

Guinevere chora seu amor perdido,
Derrotado e destronado pelo anjo caído,
Os altares prometem o sangue sagrado,
Que a todos da Távora fora levado.

E cada qual recebeu sua luz,
Trinta moedas valem o rei Sol,
Um traidor que se apaixona pelo que reluz,
Vários pescadores que não sabem usar o anzol.

A Taça passa, de mão em mão,
Caminha no tempo de doce ilusão,
Iluminando por onde passou,
Rodou pelo mundo que pouco mudou.

E onde o Graal foi colocado,
Qualquer um fica extasiado,
Porque de tão longe está tão perto,
E de tão perto, tão distante do certo.


APRENDER




APRENDER

Eis mais um homem aqui, querendo viver,
Nesta vida de absurdos, poder, aprender,
Os caminhos bravios do coração,
Que se lastima, que se emociona.

Eis mais um homem em seu tranqüilo trajeto obscuro,
Tentando em vão, derrubar os seus muros,
Que ainda, na tardia vida,
Se hospeda, se incrusta.

Eis o aprendizado que o homem busca,
Pelas luzes que o pensamento ofusca,
Tentando aprender com erros e faltas,
Pelas entranhas, pela vida,

Eis o homem.

ALADIM




ALADIM

Tudo o que eu quero, eu posso conseguir,
Pois, neste mundo, estamos para gerar vida,
Não há problemas que não se possa sentir,
A verdadeira face de uma alma esquecida.

Não lamente os erros do passado,
Sem eles não chegarias aos acertos do futuro,
O presente é mais importante e acentuado,
Se viver com ele, não estaremos em apuro.

Aladim, eu sou, em minha mente,
Estou vivo e deixo a vida sorrir,
Fluir pelos rios de uma alma corrente,
Aguando a certeza e o amor nutrir.

Sândalos, pântanos, flores de lótus,
Vidas eriçadas e propagadas na lógica,
Aladim não sabe o poder que tem,
Aladim não vive a vida que pode ter.


domingo, 2 de junho de 2013

A MANCHA




A MANCHA

A Terra sangra em suas lágrimas tristes,
Em que situação que tu caíste!
Oh! Mãe de todos que te feriste,
E que dá sua vida pelo que existe.

O sangue negro da cobiça se espalha,
Cortando o mar como uma navalha,
Uma mancha que se torna um tumor,
Criado pelo desejo e falta de amor.

Até quando poderemos te sangrar?
Iguais sanguessugas te vampirizar,
O óleo da vida que te mantém,
E que toda humanidade virou refém.

O vício humano está te devorando,
Uma nova época de dor criando,
O sangue está em seu final,
A mancha anuncia um erro fatal,
E todos querem a mancha,
O sangue negro divino.

A FAMA




A FAMA

Quando o inverno chegar,
E seu rosto queimado, lavar,
Suas lágrimas ao vento, enxugar,
Então, já pode dizer que viu a fama.

Atrás do mundo se esconde outro mundo,
Dentro do mundo não se encontra o fundo,
E a vida se esvai e se encharca,
Então, já podes dizer que sentiu a fama.

Pessoas te olham e te acham um Santo,
Porém, não encontra em você o sagrado manto,
Aquele que cobre qualquer verdade oculta,
E que na penumbra, qualquer claridade avulta.

Assim é a fama,
Para uns, a glória e o orgulho,

Para outros a humildade e o amor.

O ANEL DOS NIBELUNGOS





O ANEL DOS NIBELUNGOS

Humanidade ambiciosa mergulhando no mundo,
Um anel que muito tempo foi dos Nibelungos,
E que jazia perdido entre o lodo do rio,
Num mundo escuro, limboso e frio.

As sereias sabem que o príncipe é um sapo,
Que renuncia ao amor em busca da riqueza,
Nibelungo forja o anel guardado no saco,
O anel que amaldiçoa toda beleza.

E o poder já é tudo que se quer,
Ganância é a maldição de não crer,
Enquanto as Vaquírias galopam em seus mágicos equinos,
Homens se confrontam como se fossem meninos.

Mas o herói vem bater o Dragão,
Sai da Lua o Jorge pra arrancar-lhe o coração,
Que é duro como pedra não lapidada,
Sem sentimentos pela glória alcançada.

O sangue da Virgem segue o destino das Nornas,
O amor navega por um rio sem normas,
O herói morre pela mão da traição,
Porque a jovem Sabedoria não encontrou razão,
E triste agora crema o amor na pira,
Onde o anel do poder não leva sua ira.

Muitos querem o anel dos Nibelungos,
Mas o vêem no rio, perdido ao fundo,
Porque um dia o herói passou,
E por ele o amor se cremou.

E na espera de uma Nova Era,
No crepúsculo dos deuses, na Primavera,
Quem sabe um novo herói possa voltar,
E a maldição do anel possa retirar,
E a Verdade possa libertar,
E a humanidade possa então Amar.