quarta-feira, 29 de maio de 2013

FÊNIX PUTREFACTA




FÊNIX PUTREFACTA

Fogo derretido, fogo contido,
Desejo derretido, estrela escolhida,
Putrefação na boca do leão,
Sangue da virgem, sangue da vida.

Mistura de fogo e água,
União do céu e do inferno,
Uma estrela marcada na testa,
Onde criaturas fazem festa.

A Fênix diluída, reduzida em cinzas,
Ressurgida do pó, do fogo interno,
Criada por fogo, criada no inferno,
Emoções diluídas, cores distintas.

Surge um novo som, uma nova criatura,
Não morreu, renasceu na pintura,
O artista renasceu, o artista sou eu,

A fênix putrefata, das cinzas renasceu.

ÁGUA E FOGOS





ÁGUAS E FOGOS

Quando o mar separa as luzes vindas do Sol,
Transformando tudo o que é luz em som,
Suas ondas tocam a música nas conchas do atol,
E os elementos acham bom.

Que companhia agradável do mar,
O Sol se acha em grande esplendor,
Vem a luz por cima do oceano salvar,
A terra da praia e o seu mundo de amor.

As águas recebem o fogo,
Vivem este momento no horizonte,
Os homens olham o pôr-do-sol com um rogo,
_Volte logo, oh, Sol flamejante!

Mais um dia se esvai atrás do mar,
Mais uma vez o Sol é engolido no mar,
E então os homens vão celebrar,
Mais um dia de Sol neste altar.

HELENA




HELENA

A mais bela mulher que na terra viveu,
Que guerras fizeram pelos beijos teu,
E seu nome ficou marcado no tempo infinito,
Sua beleza jamais esquecida, tornando-se um mito.

E a mais bela tornou-se a prostituta de Simão,
O mago que queria o poder de Jesus em sua mão,
Ennoia, a deusa do pensamento, presa em Helena,
Escravizada como comum mulher era sua pena.

E um dia lá estava a Senhora dos sonhos meus,
Mais uma Helena, mostrando os caminhos seus,
A bela que não teve tempo de ser princesa,
E jamais seria escrava de toda esta incerteza.

As Helenas em seus caminhos tão diferentes,
Mas de certa forma, todas inteligentes,
Mulheres que mudaram o que deveriam ser,
Mulheres que desafiaram a vontade de viver

E Troia tombou perante a beleza helênica,
Simão, o mago, nunca libertou sua deusa,
E a Helena doutora, mostrou ao mundo o que fitou.

Os caminhos nem sempre são iguais,
Os desejos nem sempre se satisfaz,
Mas temos certeza de que a ideia muda,
E no interior, a verdade continua desnuda.
A Ísis continua sem véu,
O Cavalo continua cheio de pensamentos,
O mago jamais pega o poder na mão,
E não há religião superior à verdade.

CAVALO ATRELADO



CAVALO ATRELADO


Vou cavalgar em mim mesmo,
Nas rédeas da solidão,
Carregar meu fardo a esmo,
Procurar uma nova sensação.

Embrutecido pelo caminho, pelo Sol castigado,
Cascos lascados pela saudade, coração fatigado,
O cabresto já dói em minha boca,
Chicotes que me acertam nesta vida louca.

Mas continuo com meu pensamento,
De um dia ser um cavalo selvagem,
Não quero passar a vida feito um mero jumento,
Carregando carga, e trabalhando na aragem.

Deixo de lado este carro sem dono,
Deixo de dormir, já perdi o meu sono,
Vou pela estrada, sem ferraduras ou esporas,
Procurando pelo campo aberto a beleza das auroras.

Quem sabe um dia eu crie asas e voe,
Quem sabe um dia eu seja mágico,
E como um Pégaso possa viver em outro lugar,
E como um Unicórnio possa eu me libertar.

sábado, 18 de maio de 2013

EFEITO BORBOLETA





EFEITO BORBOLETA

Talvez a semente que eu planto aqui,
Em algum lugar pode fazer algo florescer,
Talvez toque em alguma parte em ti,
Ou pode passar sem você perceber.

Mas uma pequena luz na escuridão,
Pode brilhar e mudar a sombra num foco,
Que se fortalece e se transforma no coração,
Como um Sol que espalha pelo mundo seus flocos.

E o que eu penso aqui faz mudar o que existe distante,
Porque os pensamentos viajam onde não se está,
Num efeito que perdura num mundo viajante,
E o verbo estará marcado pelo que se ouvirá.

Uma ideia que germina e que pode virar verdade,
Depende dos caminhos pelo qual passou,
Pelas borboletas que voaram pela vaidade,
E não foram presas pelo que não durou.

O que seria do mundo sem as borboletas?
Que despejaram suas idéias pelos cantos,
E que no seu efeito construíram o presente,
Onde novas borboletas criam outro caminho pra frente.

ACORDAR PRA VIDA






ACORDAR PRA VIDA

Levante-se, levante-se e olhe o futuro,
Não fique sentado no passado,
Esperando o mundo passar.

Muitas águas ainda têm que correr,
Muitas vidas ainda hão de nascer,
E você faz parte do mundo.

Caminhe, caminhe pra frente por qualquer caminho,
Deixe a estrada e os tropeços pra trás,
Você ainda tem muito que andar.

Mais um dia na caminhada,
Mais um Sol a brilhar,
Mais uma vida a nascer,
Mais um momento de Deus.

Levante-se, levante-se que o tempo não para,
O tempo não para pra te esperar,
Ele tem pressa de fazer Deus passar,
Então vamos caminhar, acordar pra vida,
Então vamos amar esse mundo tão belo,
Então vamos amar...



FORMIGAS GIGANTES





FORMIGAS GIGANTES

Aglomerados correndo, indo e vindo pela mesma trilha,
Buracos e becos que se alinham e camuflam na multidão,
Pessoas se sentam juntos, mas não se conhecem,
Às vezes se conhecem, mas são tantos que às vezes se esquecem.

Somos formigas gigantes, espalhadas num imenso formigueiro,
Correndo contra o tempo, que sempre nos quer alcançar,
Somos formigas gigantes, e nossas casas são de concreto,
Mas de concreto a única coisa que temos, é que a vida é finita.

Formigas gigantes, marchando em busca de paz,
Formigas gigantes, marchando em busca da liberdade.

Nada faz o tempo passar, nada faz a vida eterna,
Você se vai e nada fica, porque nada é eterno.

Trabalho e correria é o esporte do dia-a-dia,
Não existe mais ninguém em completa alegria,
Os cupins se impõem para cima e avante,
Enquanto o tempo vai ficando para trás.

Formigas gigantes, marchando em busca do tempo,
Formigas gigantes, marchando e correndo do tempo.

Somos formigas gigantes.

domingo, 5 de maio de 2013

EU TE AMO





EU TE AMO

Ainda que nada seja eterno,
As coisas que nunca podem parar,
O amor pode ser o único eterno,
É o único que pode parar, o Universo.

Eu pego em suas mãos e elas envelhecem,
Eu vejo o pó e ele endurece,
Então vem o amor de braços abertos,
E nós viveremos mais uma vez em paz.

Tudo é amor, tudo é eterno,
O que não muda, se transforma,
Mas não deixa de viver,
E não deixa de se transformar.

Pego carona no seu coração,
Pode ser mais uma transformação,
Pode ser algo que seja eterno,
Ou que dure por vários invernos,
Ou que se torne um verdadeiro inferno,
As águas levam consigo o pó.

AÇUCAR




AÇUCAR

Sinto seu açúcar adoçando o meu sabor,
Seu calor colorindo com mais linda cor,
O doce dos teus olhos de castanha,
Adoçando meu azedume, fazendo manha.

Quero diluir o seu açúcar em meu leite,
Sentir o cheiro das flores, deste seu enfeite,
Sobrevoar o seu açúcar como um zangão,
Que voa sem rumo procurando seu coração.

Quero ser vítima do seu doce perfume,
Viúva negra que me envenena com ardume,
E o fogo queima, criando açúcar queimado,
Tornando seu gosto, álcool do embriagado.

Um sono bate na porta do coração,
Não quero acordar desta paixão,
Esperando seus braços abertos, preso em suas teias,
Com seu veneno apaixonando minhas veias,
Onde o açúcar da paixão,
Embriaga o amor em solidão.

ALGO MAIS





ALGO MAIS

Há alguma coisa dentro de você, que não é você,
Enquanto você dorme sua vida continua,
Um corpo à deriva, um algo escondido,
Contido dentro do que está fora de tudo.

Muitos não sabem o que é o que lhe toca,
Uma força tão grande que o coração invoca,
Mas estão tão ocupados com a infindável rotina,
Que não percebem a sua passagem repentina,

Olham para o céu e não encontram seu fim,
Tampouco encontram o fim dentro de mim,
E dentro de tudo se chega ao nada infinito,
Não encontrando o fim, com seus olhos de mosquito.

Há alguma coisa fora de você, que é você,
Enquanto morre, a vida continua,
Uma idéia à deriva, um algo vivido,
Vívido fora no que está dentro.

Muitos tocam e não sabem o que é,
Invocando a luz que nos deixa de pé,
Quando a rotina termina, não há culpados,
Pois passa o anjo acariciando os coitados.

O fim se esconde dentro do céu,
Dentro de mim livrando a fé do fel,
E o infinito está fora dos pensamentos seu,
O senhor das moscas jamais encontrará Deus.

sexta-feira, 3 de maio de 2013

OS QUERO-QUEROS





OS QUERO-QUEROS

Os Quero-queros ainda não perceberam, que serão despejados,
Desterrados de seus montes verdejantes, por montes de civilizados,
Em suas terras serão construídos condomínios de alto padrão,
Assim como fizeram com a andorinha, a pomba e o gavião.

Andam de um lado para outro, apressados,
Pensando assim fugir dos outros atarefados,
Que com seus tratores desmoronam vidas,
Sulcando a terra, abrindo feridas.

Dizia o poeta: “Narciso acha feio o que não é espelho”,
Construções luxuosas acima do chão vermelho,
Os Quero-queros ainda correm para vigiar sua cria,
Mas já nada existe, somente casca vazia.

Será a beleza uma faca de dois gumes?
Onde se mistura ouro com estrume?
Onde viverão os Quero-queros?

Será a humanidade tão hipócrita e absurda?
Com a ganância de sua mente surda?
Onde viverá a humanidade?

CARTAS DE AMOR - X - O DESTINO DA PAIXÃO






Quem me dera ser seu poeta,
Lhe escrever algo que te descreva,
Mas sou algo acre na dieta,
Um odre velho para sua beleza.

Quem sabe um dia eu seja um poeta,
Que possa descrever com destreza,
Palavras lindas para enaltecer teu nome,
Um prato raro para aplacar sua fome.

O destino da minha paixão te beijou,
A roda girou pelo mundo, o tempo parou,
As coisas tão importantes, são apenas importantes,
Passam despercebidas nos corações amantes.

Quem sabe um dia eu escreva um poema,
E acabe transformando a razão num teorema,
Que multiplica os raios do destino dito,
Com os cantos quadrados deste poema escrito.