domingo, 7 de abril de 2013

SOMBRA





SOMBRA

Não me vês, mas aqui estou,
Atrás do espelho, o que de mim restou,
Um olhar triste não refletido,
Pelas sombras da noite pervertido.

Em teu quarto te sondo, com espírito devasso,
Uma vida escondida num tempo escasso,
O que pulsa é muito mais que um coração,
Não procure auxílio em prece ou oração.

Possuo como se fosse uma serpente,
Procurando um corpo alvo para cravar apenas um dente,
O sangue puro de princesa escondida,
E na madrugada beijar-lhe a ferida.

Sonha comigo infiel companheira,
Que largou seu palácio pra tornar-se rameira,
Mas jamais morrerá a morte dos mortais,
E se embriagará de vinho entre castiçais.

E quando a luz chegar, verás a escuridão,
No seu lugar estarás, na solidão,
Mas saberás que à noite tudo vive,
E serás uma lembrança que nunca tive.

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