sábado, 27 de abril de 2013

FÚRIAS





FURIAS

Das entranhas do meu passado perdido,
Onde as fugas já haviam sumido,
Eis que surge imponente Megera,
Criando em mim uma recordação sincera.

Um passado escondido nos escombros do que fui,
Um rio lodoso que em minha alma ainda flui,
Com leito triste de coisas que se foram,
De coisas que amei, pessoas que passaram.

E trago no peito o presente de tudo,
Num coração que caminha num mundo mudo,
Coisas que a fúria Tisífone faz questão de recordar,
Porque o presente é o passado praticar.

E voa longe os pensamentos pela vida,
Caminhos tortuosos, paixão escondida,
E lá no meio de tudo posso criar,
Aquilo que um dia poderei encontrar.

Olha-me de longe a última fúria interna,
A Aleto que me mostra a alvorada eterna,
Onde o que serei depende do que sou,
E o horizonte depende de onde vou.

Espero não ser transformado em pedra de sal,
Pela Górgona do tempo com sua feição infernal,
Onde olho e me esqueço que o tempo não existe,
Esta dentro de nós e mostrar o caminho insiste.

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