quinta-feira, 25 de abril de 2013

AINDA POESIA






AINDA POESIA

Ainda é tarde, pra passar o templo,
Por aquilo que vai, afogando no vento,
No escuro da luz, no albino negro,
Palavra ou simulacro, dum dicionário grego.

Ainda é belo, a feiura nos olhos,
Bruxas secas, meretrizes no óleo,
Fogo santo, beata imunda,
Cruzes sangrentas, guerra da paz.

Ainda é mentira, nacional bandeiras,
Governo do mundo, meias verdades inteiras,
Tudo é um vácuo,que ficou aqui,
Anarquia, um gosto que adquiri.

Palavras dilaceradas, no dicionário marcadas,
Léxico imperfeito, letras enamoradas,
Declinação verbal, línguas mortas.

Talvez seria um soneto, não prometo,
Uma velha canção, da banda do coreto,
Que se prende na síncope, na marcha da sorte.

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