terça-feira, 30 de abril de 2013

BOM DIA, BOA VIAGEM





BOM DIA, BOA VIAGEM

O tempo olha para nós e pede para continuar,
O seu caminho,
O mundo segue seu rumo mas não sabe como,
Vai se alimentar,
As tristezas são tão cruéis que não sabemos,
Por onde começar.

Nossas vidas valem mais do que todas estas,
Palavras juntas,
Já não me interessa se eu respondo,
Às suas perguntas,
Acredito que é hora de viver em paz,
Se vamos no mesmo caminho,
Para mim tento faz.

Bom dia, até o dia se transformar em noite,
Boa viagem, até a noite saber para onde te levar,
Bom dia, já é hora de se levantar,
Boa viagem, é hora de recomeçar.

Quantas vezes andamos juntos pelo mesmo lugar,
Quantas vezes você foi por onde não podia estar.

sábado, 27 de abril de 2013

FÚRIAS





FURIAS

Das entranhas do meu passado perdido,
Onde as fugas já haviam sumido,
Eis que surge imponente Megera,
Criando em mim uma recordação sincera.

Um passado escondido nos escombros do que fui,
Um rio lodoso que em minha alma ainda flui,
Com leito triste de coisas que se foram,
De coisas que amei, pessoas que passaram.

E trago no peito o presente de tudo,
Num coração que caminha num mundo mudo,
Coisas que a fúria Tisífone faz questão de recordar,
Porque o presente é o passado praticar.

E voa longe os pensamentos pela vida,
Caminhos tortuosos, paixão escondida,
E lá no meio de tudo posso criar,
Aquilo que um dia poderei encontrar.

Olha-me de longe a última fúria interna,
A Aleto que me mostra a alvorada eterna,
Onde o que serei depende do que sou,
E o horizonte depende de onde vou.

Espero não ser transformado em pedra de sal,
Pela Górgona do tempo com sua feição infernal,
Onde olho e me esqueço que o tempo não existe,
Esta dentro de nós e mostrar o caminho insiste.

DIANA




DIANA

Onde estás pureza alva de algodão,
Que foges de mim, atormenta meu coração,
Com seus olhos que me iluminam a alma,
E sua voz penetrante como uma brisa calma.

Procuro-te em meus pensamentos profundos,
Mas entre tormentos do mundo me confundo,
E me perco na ilusão de desejos mundanos,
Nas maravilhas da vida que tanto me causa dano.

E na brancura de sua pele procuro o amor,
Em sua luz lunar eu busco o calor,
Mas distante estás, sem seu olhar sinto frio,
Meus pensamentos distantes, alma afogada num rio.

E a distancia faz com que o tempo se perca,
Num mundo sem fronteiras, num quintal sem cerca,
Onde as ovelhas fogem para se envenenar com o lobo,
Onde as plantas sadias são invadidas pelo lodo.

E a luz este tão distante, no horizonte, 
Não existe caminho, não existe ponte,
O tempo cruel matou a ilusão,
Tirando este amor de dentro do meu coração.

quinta-feira, 25 de abril de 2013

OS PEDROS






OS PEDROS


Ele disse adeus à Deus, matou sua dor,

Saiu pelo mundo, em seu rosto a tristeza, 

Olhou os muros do hospital, não existia mais beleza,

Além do bem e do mal, nenhum valor.


Ele encarnou o não, escreveu com sua pena, a pena,

Um alvo alvo, para circular um circo de distrações,

Levando o inapto, buscar as ilusões,

Se quer faça, antes da noite serena.


Ainda esperam o Messias, em lamentações,

Ajoelhando num muro de ostentações,

Em nuvens de Glória, o disco voador se perdeu,

Na fumaça poluída, do ódio que se cometeu.


Eu aqui entre céu e inferno,

Dúvidas profundas do que parece eterno,

Porque tudo passa tão rápido com tanta mudança,

Preparando o palco para uma nova dança.


Mais um Pedro negando,

O galo ainda não está cantando,

E dizem que negar é admitir,

Que houve um dia, um deus encarnado a sorrir.

AINDA POESIA






AINDA POESIA

Ainda é tarde, pra passar o templo,
Por aquilo que vai, afogando no vento,
No escuro da luz, no albino negro,
Palavra ou simulacro, dum dicionário grego.

Ainda é belo, a feiura nos olhos,
Bruxas secas, meretrizes no óleo,
Fogo santo, beata imunda,
Cruzes sangrentas, guerra da paz.

Ainda é mentira, nacional bandeiras,
Governo do mundo, meias verdades inteiras,
Tudo é um vácuo,que ficou aqui,
Anarquia, um gosto que adquiri.

Palavras dilaceradas, no dicionário marcadas,
Léxico imperfeito, letras enamoradas,
Declinação verbal, línguas mortas.

Talvez seria um soneto, não prometo,
Uma velha canção, da banda do coreto,
Que se prende na síncope, na marcha da sorte.

DUAS ALMAS






DUAS ALMAS

Como é bom acordar todo dia e te ver,
Me sorrindo e enxergando a alma do meu ser,
Envelhecido como uma bebida no carvalho,
Um hidromel adoçado com gotas de orvalho.

Quero ver você sorrir como, quando te conheci,
Lembrar das coisas boas, que ao teu lado vivi,
O tempo marca a linha com pontos de amor,
Cicatrizes boas que fazem esquecer a dor.

O dia é mais lindo ao teu lado,
Sonhando ser ainda o eterno namorado,
Que nas adversidades conheceu o seu ombro amigo,
Vivendo nostalgias e trilhando o caminho contigo.

Amanhã, quem sabe ainda, minhas mãos enrugadas,
Consiga enxugar do seu rosto, lágrimas roladas,
De alguma tristeza que o tempo trouxe do infinito,
Que eu possa transformar em um campo florido e bonito.

E quando eu já não estiver mais aqui,
Terás em tuas mãos estes versos para ti,
Longe, em algum lugar, uma alma gêmea a te esperar,
Sabendo que no infinito irá sempre te amar.

POR ENTRE A SELVA ESCURA






POR ENTRE A SELVA ESCURA

Os erros da vida se perdendo na selva,
Na escuridão,
Por entre as asperezas do Umbral,
Abandonado o caminho certo,
O sono perturbando os sentidos,
Minh’alma adormecida, no meio das minhas aflições.

Subindo a colina, esmaecendo na escuridão,
No vale do mundo mundano,
A luz do Sol diminuindo a inquietação da noite,
O medo me devora a força,
A beleza disfarçando o perigo.

Por entre a selva escura,
A comédia começou,
Sair da loucura da vida normal,
Animais ferozes empurravam meu ser para as trevas.

Mas meu interior,
Afastando o perigo e as aflições,
Sofrendo guerras do áspero caminho,
Lastimosas visões,
Levam-me a meditar,
Ora quero, ora não quero, negando seguir meus passos.

O medo me desvia da honra,
Nivelando-me à uma besta satânica,
No limbo estava a alma pedindo,
Pedindo uma chance de viver.

ANDARILHO DAS ESTRELAS





ANDARILHO DAS ESTRELAS
(Baseado no livro: Andarilhos das Estrelas – Jack London)

Onde está você?
Aonde você se escondeu?
Quero te encontrar, quero te entender,
Quero voar, nesse imenso azul,
Conhecer, as montanhas do Sul,
Andarilho das Estrelas.

Corre o universo num instante,
Feito um cometa navegante,
Descobrir o mundo como ele é,
Descobrir como realmente sou.

Por onde vai você?
Por toda esta imensidão,
Fugir do tempo e do espaço,
Quero sonhar acordado,
Andarilho das Estrelas.

O palácio está de portas abertas,
Para o Universo todo observar,
Para você poder se olhar,
Por este imenso espelho,
Andarilho das Estrelas.

domingo, 21 de abril de 2013

NOVO CICLO





NOVO CICLO

Aproveite um momento de solidão,
Comece um novo ciclo de sua terrena missão,
Retire de sua mente tudo ligado ao passado,
Todo momento, todo trajeto já usado,
Deixa para trás tudo o que viveu,
Apague das lembranças tudo que conheceu.

Comece tudo de novo de uma nova forma,
Como se estivesse fazendo uma reforma,
Se livre de tudo o que foi lhe dito,
Dos velhos hábitos, do que se transformou em rito,
É hora de olhar para frente e ver o que será,
Correr atrás da vida que surgirá,
Longe das teias de aranhas, do seu museu,
Algo que você poderá chamar de seu.

Leia aquele livro que você queria,
Mesmo que te falem que é uma porcaria,
Ouça musica brega, romântica ou satânica,
Coma massas, carnes, ou alface hidropônica,
Afinal, viva!
Porque a vida só se vive uma vez,
Porque a vida é o resumo do que se fez.

Beba suco, água ou algo inebriante,
Seja louco, religioso, idiota ou safado,
Não existem diferenças, a vida sempre termina,
Ninguém sabe a verdade sobre a humanidade,
Alguns vêem a vida na presença de um Deus,
Outros vêem uma vida caótica, se proclamando Ateus.

Mas viva!
Porque o que o homem nada sabe da vida,
Porque só tem hipóteses nunca cumpridas,
Todos em dúvida, com suas fantasias e promessas,
Esperando que a humanidade melhore nas futuras remessas,
Porque tudo continua mudando,
E a vida humana igualmente acabando,
Dentro da eternidade.

ESTAÇÕES


     



     ESTAÇÕES

    Mudaram as estações, e a humanidade não consegue sintonizar.
    As rádios que tocavam musicas falando de índios, 
    Hoje abrem sintonia para a verborragia religiosa.

    O trem passa pelas estações carregando pessoas inertes, 
    Que se congelam entre uma estação e outra.
    Parados, imobilizados pela obrigação da rotina.

    Uma pedra no sapato, ou uma pedra que derrubou o gigante, 
    É a mesma pedra que foi colocada em cima do assunto.
    Mas ainda falam de ecologia, 
    E ainda falam de desmatamento, falam de poluição. 
    Sonora? Visual? Dos rios, ares e mares?

    As estações passam e a humanidade envelhece, 
    Se esquece das coisas que já passaram, 
    Por onde o trem já passou.
    Pela Lua que o homem pisou, a quantidade de gente que matou.

    Por amor, por Deus, pelo País. Qual será a nova sintonia?
    O radio não toca música, mas gera suas vítimas.
    Estamos livres das gerações atômicas?
    Seremos escravos da idiotice?
    De palavras jogadas ao vento?

    A arte perdeu seu lugar para o que se diz cultura.
    Nossa vida passa feito uma prostituta.
    Responderemos processos pelos próximos preconceitos?
    Haverá uma nova inquisição?

    A liberdade de pensamento só é liberta quando somos escravos, 
    Não podemos passar o limite daquilo que está imposto, 
    E se paga o imposto de se viver fora da sintonia.

    Quem sabe com a mudança das estações.
    Quem sabe o trem para em um novo lugar.
    Onde ar, água, terra e fogo vivam em harmonia.

    E a música da banda não seja coisa do diabo,
    E que o diabo esteja ocupado em buscar sua própria sintonia!
    Graças a Deus!!!!

BEL MATER





BEL MATER

Bel Mater é a vida ditosa,
Material de desejo dos meus impiedosos vícios,
Aquela que inflama o terno coração,
O que era criança que guarde em paz,
Essa criança que um dia estava em seu interior.

Agora já fora te chama de mãe,
Soluços saem por sua cabeça,
As vidas vivem como se fossem idéias,
Virgem, pura de coração,
Alimentando a vida que existe em ti.

Palavras não revivem seus atos,
O terno momento, espíritos,
Fazem da vida uma nova vida,
Já não existe o que procuras.

A Lua cheia te pede nos braços,
A Terra progride e mostra suas mãos,
Enquanto beldade nasce do mar.

quinta-feira, 18 de abril de 2013

UM





UM


Um único absoluto, de onde surge o ponto inicial,
Um caminho, uma rota, uma reta, um sinal,
Um desejo, um erro, uma morte, um mal,
Um homem, uma mulher, um pecado virginal.

E surge a pergunta para uma resposta,
Surge a ideia na mesa posta,
Um Deus, um Salvador, um para “pegar pra Cristo”,
Um espírito, uma alma, um algo pra sentir que existo.

Uma palavra, um poder, um momento no tempo,
Um passado, um futuro, e o presente eu represento,
Uma vida, uma morte. Qual será a minha sorte?
Um que vai, outro que vem, é preciso ser forte.

Um amor, uma flor, uma outra ideia,
Uma mente, uma ilusão, uma formiga na colmeia,
Um ato, um gesto, um tom, um momento em mim,
Um começo, um instante, um fim.

A PORTA





A PORTA

Um caminho entre as paredes rochosas,
Uma vida que se segue maravilhosa,
Entre as trevas de um sussurro arredio,
Corujas que iniciam seu pio.

Nas penumbras as almas se levantam,
Pessoas que não acreditam se espantam,
E na tristeza se alegram com o que é visto,
Porque são coisas que não mostram risco.

E na beleza dos atos sinceros do coração,
Parte uma lágrima do mundo sem noção,
Vidas que se passam entre idéias que existiram,
Pessoas que de nossa vida partiram.

Em algum lugar ainda devem existir,
Quem sabe no mundo do porvir,
Ou na memória dos que virão,
E mudarão o mundo e sua visão.

domingo, 14 de abril de 2013

O ROCIO




O ROCIO

Uma energia que cai do céu,
E vem fazer que a abelha cuide do mel,
Na noite enquanto alguns estão dormindo,
O rocio cai para a vida surgindo.

Sementes se abrem para o novo amanhã,
Saúdam a Aurora e o girino vira rã,
O príncipe que virou sapo prefere assim ficar,
Para viver na natureza e sua liberdade desfrutar.

As flores que se escondiam, excitadas surgem,
Querendo desfrutar as gotas que as folhas, ungem,
As feiticeiras descem quase nuas para a clareira,
Enquanto a humanidade se aquece na lareira.

Apanhar o rocio para mágicas poções,
Filtros de amor para antigas canções,
O floral é colhido como se fosse o maná,
É proibido tocá-lo com a mente má.

Surge a bela Gaia com sua pureza nua,
Que muitas escondem no mundo da Lua,
Mas querem se alimentar do rocio sagrado,
E sacrificar a virgem para ungir o cajado.

DO OUTRO LADO





DO OUTRO LADO

Do outro lado do Sol,
A relva sobre a grama,
Um cheiro de flor pelo ar,
Uma deusa escondida no vento.

Uma vida de amor,
Para que o mundo seja melhor,
Toque um instrumento de luz,
E crie um novo mundo.

Só o poder do amor muda o mundo,
Só o poder da vontade cria outro mundo,
Não deixe que acabem com o que existe,
Faça sua parte, ame o que ainda existe.

Do outro lado da Lua,
Existe um novo amanhã,
O rocio cai sobre o mundo,
Criando uma nova manhã.

Só o poder do amor pode criar,
Só o desejo pode fazer amar,
Não deixem que acabem com o amor,
Faça sua parte, mantenha o mundo em Paz.

REVELAÇÃO PROFUNDA




REVELAÇÃO PROFUNDA

Andando pelos caminhos que Dante correu,
Andava eu, com meus pensamentos,
Mas uma Estrela me mudou a rota,
E a vida saudou o Sol.

Seguindo os passos da Estrela,
Correndo em busca do mago,
Achei a verdadeira vida, quando te conheci.

Já não era Estrela e sim, sua luz,
Já não era caminho, eram sons,
Achei a verdadeira verdade, quando te conheci.

Com os livros na mão e as mãos em oração,
O caminho se estreita e eu vejo agora os enteais,
O Sábio estava certo sobre o conhecimento.

Agora falta apenas a dilapidação,
Para me tornar totalmente seu,
As bases que eu planto neste momento,
Vem de tempos correndo atrás de mim.

YOD





YOD

A palavra dez gerou a deidade,
Um ciclo completa a roda, bondade ou maldade,
E tudo se completa para um novo recomeço,
Daquilo que não sei e do que conheço.

O destino de tudo é poder criar algo perfeito,
Usando sua mente e razão para que seja feito,
Mas sem vontade nada se pode fazer,
Porque ninguém recebe são não pode merecer.

Atlas suporta o mundo sobre seu ombro enorme,
Sacrifício que faz pela humanidade disforme,
Dez mandamentos, dez instrumentos,
E depois de dez dias da ascensão, o Espírito fez surgimento.

Dez ofensas fizeram no deserto,
Achando que Deus não estava por perto,
E na Bíblia lhe dão dez nomes divinos,
E os homens buscam dez desejos femininos.

Os númenos tornam-se números ditos,
Amam-se, juntam-se criando seus ritos,
Criam o mundo onde tudo existe.

O SINO DOS LOBOS





O SINO DOS LOBOS

Na noite de Lua, tão cheia, nostalgia,
Olhos sangrentos, no limbo, alma vazia,
Olhando ao fundo o movimento ávido de desejo,
Pensamentos profundos abertamente revejo.

Entro em quartos, em vidas, em pensamentos,
Buscando a pureza, um sussurro nos juramentos,
Mas a senhora do meu coração não encontro,
O Tempo passa e tudo pode quebrar o encanto.

Os sinos estrondam dentro da minha mente,
E na canícula minha loucura aparente,
Vem à tona e me perco em caminhos sem volta,
Daqueles que a agonia se transforma em revolta.

O dia já está raiando e os sinos choram,
E continuo em busca dela, onde meus desejos moram,
A que consegue com seu canto suave de sereia,
Acalmar os sinos fazendo a quietude na aldeia.

Já é dia e os sinos pararam,
Meus desejos pra minha pobre vida retornaram,
A rotina ensurdece o lobo que já não percebe,
Uivando para o Sol, olhando sua sombra de lebre.

FIM






Fim

Dizem que um dia o mundo tem fim,
Outros, que o infinito está dentro de mim,
Palavras e dúvidas que caminham como gêmeos,
Ditos pelo tempo, afirmado pelos gênios.

Olhamos no infinito e nos vemos tão distante,
Tão imponentes observando uma estrela elegante,
Com tecnologias que superam nossa moral,
Explorando lá fora e aqui praticando o mal.

Mas dizem que nada é perfeito,
Por isso aqui, estamos sentindo o efeito,
Aonde iremos quando a Terra parar de respirar?
Será que alguns terão sorte de outro lugar habitar?

Enquanto a minoria pensa neste mundo devastado,
A maioria destrói florestas para lucrar com gado,
Mas necessitamos deste mundo para viver,
E o destruímos aos poucos sem perceber.

E se percebemos, preferimos a vida que levamos,
Das coisas que temos, das que ainda almejamos,
Em nossa ganância por artificializar a vida,
Nos esquecemos de nossa Terra querida.

Realmente,
Tudo tem um fim.

domingo, 7 de abril de 2013

CRIATURAS DA NOITE





CRIATURAS DA NOITE

O Abade colocou uma vela no escuro,
Iluminando um mundo separado por um muro,
Para ver o que tem do lado de lá,
Não temendo o que pode trazer para cá.

Orações esquisitas, rituais estranhos,
Misturando drogas, dando em ervas banhos,
Na penumbra surge espectro tenebroso,
Com alvo semblante e olhar guloso.

Criaturas das trevas recitando profecias,
Musicas que embalam suas poesias,
E o que se vê não é tudo,
Seres no escuro, licantropo peludo.

Criaturas da noite, despercebidas,
Faladas, conhecidas, muitas temidas,
Dizem que Caim carregou estranha marca,
Uma chave tenebrosa que os dias de hoje abarca.
Que pode estar,
Em qualquer lugar,
Bem do seu lado, esquerdo,
Só olhar...
Bem devagar...e verás.

SOMBRA





SOMBRA

Não me vês, mas aqui estou,
Atrás do espelho, o que de mim restou,
Um olhar triste não refletido,
Pelas sombras da noite pervertido.

Em teu quarto te sondo, com espírito devasso,
Uma vida escondida num tempo escasso,
O que pulsa é muito mais que um coração,
Não procure auxílio em prece ou oração.

Possuo como se fosse uma serpente,
Procurando um corpo alvo para cravar apenas um dente,
O sangue puro de princesa escondida,
E na madrugada beijar-lhe a ferida.

Sonha comigo infiel companheira,
Que largou seu palácio pra tornar-se rameira,
Mas jamais morrerá a morte dos mortais,
E se embriagará de vinho entre castiçais.

E quando a luz chegar, verás a escuridão,
No seu lugar estarás, na solidão,
Mas saberás que à noite tudo vive,
E serás uma lembrança que nunca tive.

UMA ROSA





UMA ROSA

Uma rosa sem espinhos no meio do jardim,
Espinhos no coração, o que será de mim?
Ervas daninhas estão havidas por seu odor,
Que exala poder, exala amor.

Um coração duro, amaldiçoa a sua brisa,
Meus olhos te olhando, de amor precisa,
Mas existem tantas cercas que aprisionam,
E no mesmo tempo, no jardim abandonam.

As regras viram leis e todos acham verdade,
O que é tão belo para o preço da vaidade,
O amor se cerca de preconceitos criados,
Existe ele, para os que são libertados.

Num horizonte admiro tua beleza,
Que reluz tão distante, uma realeza,
Que rege os caminhos daqueles que viram,
E se encantam com seu cheiro os que virão.

Em cada pétala um pedaço de paixão,
Uma letra gravada, uma canção,
Uma rosa sozinha na imensidão,
Não existem espinhos, não existe perdão.

SEXO






SEXO

Tão longe, sonhando, pensando em tudo, em você,
Quando e quanto ninguém vem me atrapalhar,
O Sol se pôs atrás das montanhas, os edifícios dificultam ver,
A Lua é tão breve, atrás das nuvens enrubesce e se esconde,
E você dorme nua em lençóis macios, tão distante daqui.

A chuva molha o asfalto, a malvada lambe os seios da terra,
Num lesbianismo puro e saudável, as duas que se penetram,
Tudo então se transforma em gozo e satisfação geral,
Então chega o fogo e se compenetra com o Ar,
Derramando a sua energia em cima do mundo.

Longe vai a saudade de ti,
A distância mostra o quanto é triste a vontade,
Ligações perigosas e amorosas entre eu e você,
Sabores que fruta alguma pode dar,
Mulher como eu quero te amar.

DORME EM PAZ E MORRE TRANQUILO





DORME EM PAZ E MORRE TRANQÜILO

Entre os portais do tempo,
No mosteiro de Salomão,
As minas enriquecem o homem,
O ouro lhe transforma em deus.

As águas se transformam em Sal,
Ao chocar-se com o mundo,
As águas viram cristais,
As pedras dissolvem a crueza.

Onde vive o gênio eterno,
Aquele que domina o mundo,
O Baphometh da nossa realidade,
O sangue que vai e volta ao amor.

Onde tu vais, ó grande acrobata,
Que perambula por linhas vitais,
O equilibrista de várias palavras,
O soldado no meio da batalha.

E eis que surge no horizonte Salomão,
Ele vem trazendo uma carruagem de ouro,
E dará as rédeas em suas mãos,
E dominará em suas mãos.


CANÇÃO PARA NINAR GENTE GRANDE





CANÇÃO PARA NINAR GENTE GRANDE

Assim dizia o preto veio, assim dizia o preto manco:

“Cuidado cum u curupira, cuidado cum sombração,
Óia chegando o lobizôme, faze festa no arraiá,
Sombração do mato, monte de animar,
Óia o Boi Tatá, óia o Saci,
Quem num crerdita, proque nunca provou sua força.
Nu mato tem coisa estranha qui num si vê.
Nu mato tem coisa medonha qui é bom nem vê”.

Tudo é canção de ninar gente grande,
Que acha que conhece tudo,
E o homem se acha o sabichão,
E mal sabe ele que nem dele, sabe nada.


Portanto, cuidado com o Curupira,
Cuidado com o Boitatá,
Cuidado com o Caipora,
Toma cuidado quando entrar no mato,
Pois os duendes da Mãe Terra tem muitos poderes,
E entre eles, o poder da auto destruição.

CAVALO SELVAGEM




CAVALO SELVAGEM

Cavalgo o cavalo, selvagem, sem lugar,
Não quer, não percebe que o querem domesticar,
Corre livre pelos campos, indo não sabe onde,
O vento alvoroça e em suas crinas responde.

E o cavalo busca o exercício da liberdade,
Mas está preso na verdade, na realidade,
Não pode fugir de seu campo conhecido,
Não pode voar como um Pégaso destemido.

E quando o cavalo cai na verdade,
Vê que será domesticado de sua ansiedade,
Porque um cavalo serve de transporte,
Levando pessoas para outra sorte.

Cavalga agora o cavalo domesticado,
A mente humana traça o caminho marcado,
O cavalo já não é mais um animal,
É um ser novo, um Unicórnio elemental.

ESTRELA HÉXADA






ESTRELA HÉXADA

O que é acima é como e tal embaixo,
Na vida mundana, onde minh’alma encaixo,
Um casamento entre divino e profano,
Entre as forças do mal e o ideal humano.

Androgenia de um mundo partido,
Que vai, que vem, harmonia do sentido,
Pra colher o visco sagrado na virgem mata,
Depois de um tempo que o castigo desata.

Então Davi preferiu derrubar o gigante,
Terra sagrada da estrela triunfante,
Entre o céu e a terra uma nova harmonia,
Enchendo de fogo a taça vazia.

O grande iníquo diz seu número humano,
Um apocalipse para este povo insano,
Quem é inteligente calcula a sua Besta,
Num mundo imundo, aquilo que nos resta.

OPOSTO





OPOSTO

Adorável oposto, a face de um mesmo rosto.
Roço em corpo quente que me arrepia,
Adoro seu cheiro, de sentir o teu gosto,
Aquilo que enche a alma e deixa vazia.

Uma luz na escuridão deste lugar,
Um bem que o mal não consegue aplacar,
Olhos abertos vendo os seus fechados,
Um toque, um torpor, desejos saciados.

Pobres daqueles que não enxergam o sexo,
Neste Universo, mistura de côncavo e convexo,
Opostos que se atraem, que se traem,
Porque os desejos de sua vida, saem.

Mas existe um oposto que é igual,
Que se encaixa de maneira natural,
Porque existe uma linha reta,
Para almas gêmeas criarem uma meta.

Então, o oposto é igual.

ACORDAR PARA NOVO DIA







ACORDAR PARA O NOVO DIA

Hoje não é mais amanhã, já inicia a manhã,
As cigarras cantam o frescor da energia solar,
É a vida que na floresta começa chegar.

As corujas se foram com a Lua,
Iansã acorda cedo para banhar-se nua,
Já não é mais criança Iansã,
Já mulher em formas, já é dia.

Raia o Sol exuberante e poderoso,
E nos pupilos crescem barbas,
Começa chover no meio da mata,
Para tudo começar nascer,
A mata virgem começa criar.

Eis que cansado o Sol se põe.