sábado, 2 de março de 2013

DONO DO PARQUE








O DONO DO PARQUE

Cadeiras girantes, roda gigante,
Lembro do Dono do Parque perambulante,
Era ainda um menino que me iludia,
Com as brincadeiras do meu dia.

E ele chegou com sua troupe de artistas,
Mal sabia escrever o eterno malabarista,
E o Dono do Parque decidiu ficar,
Pela bela viúva se apaixonar.

Deixou seu mundo sem eira, nem beira,
Como pintor, viver uma vida caseira,
Nos dias que passavam pelos bares da vida,
A cachaça corroia sua garganta ferida.

Perderam-se cordas vocais, o demônio Algol as levou,
O silêncio de um homem que na vida lutou,
Um câncer que se espalhou pelo mundo,
Transformando pessoas em maltrapilhos vagabundos.

E o dia então chegou,
Seu corpo aos poucos definhou,
Na morte só a saudade que bate no coração,
O Dono do Parque se foi sem fazer sua oração.

Homenagem à um amigo que partiu.


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