domingo, 31 de março de 2013

BEIJA FLOR





BEIJA FLOR

Sugar o seu néctar feito um Beija Flor,
Embriagar-me no cheiro da sua flor,
Derreter-se em brisas de puro amor.

Voar para bem longe, longe do infinito,
Esquecer de tudo o que antes foi dito,
Pairar no ar, só para te apreciar.

Eu quero ser feito um Beija Flor,
Voar bem rápido junto de ti,
Sentir a pureza da tua beleza,
Sentir o néctar do teu amor.

Deixa o tempo mostrar que é sábio,
Deixa ele viver em nós dois,
Que o mundo será muito melhor,
E a vida será maravilhosa.

SEM DORMIR






SEM DORMIR

Sem poder dormir, arrastando correntes,
Frio que corta a alma, ranger de dentes,
A água é puro sal, o sol é puro enxofre,
A noite é longa, para quem não sabe viver.

Não acalente seu sono, deixa o fluido fluir,
Mas que bela é a verdadeira vida,
É só aprender a viver,
Sua santidade foi vencida pela sociedade.

A terra é de ninguém, e todos a querem,
A ganância faz dos homens escravos do mal,
Ele consente em viver sem dormir,
E chora de noite o que não conseguiu viver de dia.

MAÇÃ






MAÇÃ

As Maçãs não são todas iguais,
Nem seus sabores divinais,
Existem Maçãs com gosto de nada,
Maçãs sem carinho, Maçã mal amada.

Mas existem Maçãs de sabor suculento,
Que brilham no Sol, com o balanço do vento,
De um vermelho escarlate, de profunda beleza,
Dádiva de Deus para com a natureza.

A Maçã é partida em duas metades,
Coração partido com tamanha maldade,
E a sensibilidade torna-se nudez,
Mostrando a injúria da insensatez.

Mas as sementes sorriem ao mundo,
São as dores que se escondiam no fundo,
Que podem agora surgir no amanhã,
Porque uma semente um dia se torna Maçã.

quarta-feira, 20 de março de 2013

SINAIS






SINAIS

Eu posso dizer o que você quer ouvir,
Eu posso falar o que você quer saber,
Eu posso calar aquilo que não quer sentir,
Eu posso deixar que não faça o que tem que fazer.

Mas quem sou eu pra dizer o que é certo,
Cada um com seu mundo, tão distante ou perto,
E as coisas passam ensinando com seus sinais,
Aquilo que em sua vida te satisfaz.

Houve tempos de milagres, religiões e ideais,
Que falam diferente de coisas iguais,
Mas o tempo é outro, se vê os sinais,
E a humanidade ainda quer sempre mais.

Até onde quer chegar este hermafrodita,
Meio anjo, meio demônio, sua regras dita,
E os ditadores de nada adiantaram,
Foram peças de um tabuleiro, passaram.

E o mundo continua engrenado, impermanente,
Mesmo que a grande engrenagem perdeu um dente,
Um sinal que nada é igual para sempre,
Nem mesmo a nova criança dentro do ventre.

domingo, 17 de março de 2013

SHIVA






SHIVA

Dança a bailarina encantando com sedução,
Gestos que se mesclam com as batidas do coração,
Bate o tambor marcando o ritmo da dança,
Olhando em teus olhos o gosto da esperança.

Minha bailarina em gestos de amor,
Mostrando um caminho repleto de sabor,
Seu corpo envolvendo as luzes do Sol,
Em seu encanto girando o caracol.

Dança bailarina diante da fogueira,
Toque ao violino os sons da feiticeira,
Enfeitiça minha alma com o fogo da lua,
Surgindo da penumbra como fada nua.

Em seu encanto, bebendo da luz o licor,
Nas pétalas das flores se desvenda o amor,
Um corpo dançando no silvar do vento,
Uma serpente que sussurra com seu alento.

Dança querida bailarina, mais uma vez,
Acaba com meus minutos de lucidez,
E o tempo para ao vê-la dançar,
E eu, pobre mortal, só posso te amar.

QUINTESSÊNCIA


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QUINTESSÊNCIA

Uma essência de tudo que vive no Universo,
Do mais absoluto infinito e gigantesco,
Ao mínimo indivisível, o seu inverso,
Um material alquímico, escondido no afresco.

Dizem ser o prânico poder do Sol luminoso,
O magnetismo que cura do amor caloroso,
Um algo mais que penetra o invisível,
O veículo que transmite a luz visível.

Um pentagrama que se emociona,
Chora, sorri, vê luzes e túneis estando em coma,
E continua mesmo depois da morte,
Em algum lugar que depende da sorte.

O mundo elétrico que não se vê,
O amor que chega e influi em você,
A essência que é guardada no coração,
Esperando vencer quatro elementos da devoção.

sexta-feira, 8 de março de 2013

QUETZACOALTL







QUETZACOALTL

Um espírito que paira sobre o mundo,
Um desejo que surge nas sensações,
O doce sabor da tentação,
Que leva um vício ao coração.


Um deus que não morreu ainda,
Apenas mudou sua forma,
Viajou pelo mundo e se transformou,
Entre profanos e padres se alimentou.


Voltou para as terras de antes,
Voltou para o cume dos Andes,
Um espírito que entrou na história,
Jamais vão tirá-lo da memória.

 Uma homenagem ao chocolate, de um chocólatra.


SINFONIA DOS ELEMENTAIS


   



SINFONIA DOS ELEMENTAIS


  Terra, mundo gigantesco, finito.
  Terra, pequeno mundo dentro do infinito,
  Onde sou verme, sou parte, sou homem, sou deus,
  Sou o último dos seus Prometeus,
 Trazendo em si a terra vermelha, o sal da terra,
 A vida movimentada dos arranha-céus,
 Fulgurando formigas por ruas, por becos, por túneis,
 Belezas feias, alegrias tristes, vidas mortas,
 Em busca de sangue, em busca de amor,
 Do calor...


 E o fogo lava nossa alma, queima as cinzas,
 A escuridão turva a luz e o cheiro é triste,
 Onde sou verme, sou anjo, demônio, sou cobaia de Deus.
 A chispa busca onde se afogar e o infinito é o seu lugar.
 Tão longe, tão dentro de mim,
 O fogo fluindo, fluindo nas águas do mundo,
 Fluindo no corpo, nas águas sujas, nas claras.

                            
  Nas águas vivas, que ainda saem da fonte,
  E as águas lavam a vergonha dos “cara de pau”,
  Com seus jargões conhecidos e suas palavras falaciosas,
  As pizzas são comidas, as verdades esquecidas,
  E chove de novo, e a seca gera novas riquezas,
 As pobrezas são nobres, e as guerras continuam no ar,

 E o ar está tranqüilo, procurando a vida,
 E passam tiros de fuzil, bombas, balas, doces,
 De crianças, traficantes, trafegando para a cripta,
 E os donos dos elementos, alimentam tudo,
 Alimentam o Universo, o imerso e o reverso,
 Da mesma medalha.
 Terra! Sagrada Terra!    

PROSERPINA






PROSERPINA

Debulhando os grãos da romã,
Na nostalgia do seu leito, seu divã,
Onde encostas a cabeça e foge do mundo,
Nas encostas rochosas do limbo imundo.

Na penumbra da vida, buscas as delícias sórdidas,
No leito de Procusto alivia suas idéias mórbidas,
Preparando para sua estadia elevada aos céus,
Deixando para trás os lacaios no banco dos réus.

Beija o silêncio da liberdade e morde a maçã,
Na tempestade do dia, onde se vence a vilã,
E coroas a cabeça com estrelas de bom grado,
Nas nuvens acolchoadas por um bom agrado.

Na luz da vida, encontras a pureza da beatitude,
Onde vive a beleza, entregando-lhe uma nova juventude,
E se prepara para sua estadia de mulher de desejos,
Esperando mais uma vez os calorosos beijos.

Mulher que é sagrada pela condição de mulher,
Mulher cobiçada por anjos e mortais, por ser mulher.

sábado, 2 de março de 2013

HOMEM DO JARDIM








Homem do Jardim

Às vezes sou anjo, puro, seguro, leal,
Às vezes demônio, sádico, nervoso, mal,
Dias em que vejo as pessoas com olhar de irmão,
Dias em que todos não passam de ilusão,
Tem horas que acho que engoli o caroço no jardim,
Tem horas que penso no quê está dentro de mim,
Um lado santo e bom, religioso e honesto,
Um lado devasso, ateu, um lado que não presto,
Talvez faltasse um pouquinho da Árvore da Vida,
Talvez não exista mais vida além da vivida,
E o Deus que controla o Homem do Jardim,
Esqueceu de responder qual o nosso fim,
E construímos mundos, guerras, riquezas, belezas,
E delas geramos males, doenças e desequilíbrio na Natureza,
E o Tempo diz que a humanidade evolui,
E o Tempo mostra a humanidade que na maldade flui,
O Homem do Jardim novamente está perdido,
No meio do deserto esperando um pedido,
Nada brilha no horizonte a não ser o Sol,
Nada brilha na humanidade a não ser a dúvida.

DONO DO PARQUE








O DONO DO PARQUE

Cadeiras girantes, roda gigante,
Lembro do Dono do Parque perambulante,
Era ainda um menino que me iludia,
Com as brincadeiras do meu dia.

E ele chegou com sua troupe de artistas,
Mal sabia escrever o eterno malabarista,
E o Dono do Parque decidiu ficar,
Pela bela viúva se apaixonar.

Deixou seu mundo sem eira, nem beira,
Como pintor, viver uma vida caseira,
Nos dias que passavam pelos bares da vida,
A cachaça corroia sua garganta ferida.

Perderam-se cordas vocais, o demônio Algol as levou,
O silêncio de um homem que na vida lutou,
Um câncer que se espalhou pelo mundo,
Transformando pessoas em maltrapilhos vagabundos.

E o dia então chegou,
Seu corpo aos poucos definhou,
Na morte só a saudade que bate no coração,
O Dono do Parque se foi sem fazer sua oração.

Homenagem à um amigo que partiu.


O NADA





O NADA

O nada se esconde onde se vê tudo,
No som abafado do silêncio mudo,
Na luz profana que está na escuridão,
No princípio de tudo, no fim, na infinita imensidão.

O acaso caminha em sua matemática exata,
Leis euclidianas são quebradas pela engrenagem ingrata,
Que pilha o tempo destruindo sua exatidão,
A morte venera a venérea procissão.

Não se soma, não subtrai, apenas trai a verdade,
Existe em sua existência, confundindo a realidade,
O nada não é bom, não é mal, é o Tao,
É a plenitude acima dos pólos, é tudo, igual.

O tudo termina onde foge pro nada,
Quando a obra da engrenagem caótica é terminada,
Num sono profundo, sem luz, sem som, sem tom,
Sem alma, sem movimento, sem o sem, nem o com.