sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

FLOR INSÍPIDA






FLOR INSÍPIDA

Encontrei-me com tua formosura,
Visão de uma realidade em mim obscura,
Um desejo de apanhá-la para colocar num vaso,
Ou semeá-la perto de um córrego raso.

A estrela de suas pétalas de branco lunar,
Flor bela, mas sem perfume pra cheirar,
Flor de se pintar nos quadros em cores pastel,
Flor na qual, abelhas não encontram a matéria do mel.

Uma flor sem fruto e de construção vazia,
Destruindo a beleza no que ainda havia,
Já não é flor, és flor de plástico,
Sem cheiro, sem gosto, sem vida.

Palavras levadas pelo vento,
Que poliniza o mundo com seu alento,
Palavras que não dizem nada,
Apenas um degrau de uma velha escada.

VERDADE INTERIOR







VERDADE INTERIOR

A Fênix incendeia em suas chamas o ovo da vida,
Onde descansa incubada a verdade contida,
E toda ave tem em si o fogo que germina,
A Taça Mercurial, representação da energia feminina.

Os porcos continuam a chafurdarem na umidade da terra,
Procurando a verdade que em suas entranhas encerra,
As palavras encantam, mas não lhes dão efeito,
Preferem à lama e carregar a sujeira no peito.

Lá no fundo do oceano os peixes estão,
Não sabem o que existe longe do coração,
Nadando contra a maré para chegar a algum lugar,
No infinito de uma estrada para a verdade encontrar.

Não se apressa as águas do oceano com o vento,
Pois da liberdade das ondas se criaria um tormento,
Onde a verdade jamais seria vista ao fundo,
E as pessoas não entenderiam seu mundo.

A verdade de cada um se diferencia na consciência,
Dependendo daquilo que encontrou na vivência,
A sua Fênix se descuidou com o seu ovo da vida,
Queimou sua casca deixando sua face derretida.




BUSCANDO PERDÃO








BUSCANDO PERDÃO

Sozinho na noite, sonhando acordado,
Em frente às estrelas, bem acomodado,
Dentro de mim procurando entender,
A vida que passa, nascer, crescer e morrer.

E no tempo vital, com meus pecados,
Com idéias e impulsos derrotados,
Pela ânsia de viver tudo o que se deseja,
Um Aladim sem lâmpada, sem brilho, não acesa.

Nos erros contidos em meu coração,
Procurando paz, amor ou paixão,
Mas é tão difícil aceitar a culpa interior,
É mais fácil por culpa nos outros, no exterior.

Mas a culpa condena os seus atos errados,
Todos são por sua alma observados,
 Às vezes o arrependimento bate na porta,
É hora de mudar esta realidade morta.

Se existe arrependimento existe o perdão,
E os atos errados de outrora, são azedos como limão,
Mas o mel só adoça quando o coração se liberta,
Quando fazemos a grande descoberta.

Que o amor é capaz de perdoar,
O perdão pode ser dado para salvar,
E a vida pode continuar o seu caminho,
Que liberta os pecados marcados no sudário de linho.

Então foi falado:
Perdoai-os porque eles não sabem o que fazem!

POEIRA NO VENTO







POEIRA NO VENTO

Sopra o vento em meu corpo cansado,
Espalhando minha poeira para todo lado,
Sinto-me em vários lugares ao mesmo tempo,
Procurando sentir em vão um momento.

O meu pó vai passando pelo mundo sem volta,
Num caminho infinito que das coisas se solta,
E o vento castiga os pensamentos que se agarram,
Nos momentos, achando que de laços eternos se amarram.

As migalhas de mim ficam no caminho da vida,
Alimentando aqueles que nesta trilha buscam a saída,
Minhas sementes que um dia em árvores, serão,
O pó soprado do que um dia fui, e que virão.

Sopra o vento afagando meus cabelos cansados,
Onde a poeira do tempo conta seus grãos movimentados,
Nas mãos do Tempo a ampulheta exagera em viajar,
Já não anda, não corre. Em Pégasus está a cavalgar.

A poeira no vento leva aquilo que de mim resta,
Para que os pombos da praça façam festa,
E no tempo que carrega a vida do mundo,
Está apenas aquilo que de mim era mais  profundo.

domingo, 3 de fevereiro de 2013

QUATRO ESTAÇÕES








QUATRO ESTAÇÕES

Maior milagre, Deus em forma, fonte da natureza,
Portador da chave de toda beleza,
Quatro faces em quatro cantos do mundo,
Cada qual em qualidades por Deus fecundos.

Quatro pontos cardeais, quatro rosas de vento,
Quatro naipes de cartas marcadas, quatro luas em movimento,
Quatro caminhos na encruzilhada,
Quatro pontas da cruz gamada.

Onde se produz a vida e a morte,
Onde seu tempo é contado pela sorte,
E a sorte com seus solstícios e equinócios,
Para aqueles que trabalham ou vivem no ócio.

A fonte da geração e da semente,
Que molha a terra e deixa a natureza contente,
Águas em suas fases, sólida, líquida,
Gasosa, e pura, na chuva da terra ressequida.

E seus odores, com sussurros e respiração,
Exala o poder do verbo e inala a inspiração,
E os versos saem de sua mente aérea,
Espirram melodias cômicas, sarcásticas, sérias.

Que queima e cozinha, relampeja,
Da vontade humana que procura, almeja,
E transforma-se em guerras, religiões e num marco,
Desde a caverna aos perigos atômicos, criando um arco.

Quatro letras de AMOR, para crucificar a esperança.