sábado, 26 de janeiro de 2013

DISTÂNCIA





Porque estás tão distante de mim,
Não gosto de te ver tão triste assim,
Nestes momentos que passam tão distantes,
Sou um andarinlho que um dia foi amante.

E tu sabias que sempre estou neste caminho,
Tentando disfarçar na caricatura de um adivinho,
Que te encanta com palavras verdadeiras,
Que sai desta mente sem eira, nem beira.

Talvez o tempo nos fez deste jeito,
Escondendo as cicatrizes marcadas no peito,
Coisas que o mundo já se esqueceu,
Coisas de um mundo que era meu e teu.

Ninguem entende o que existe no amor,
Que de felicidade se transforma em dor,
A dor que  caleja e maltrata,
Que das amarras dos erros desata.

Me espera mais uma vez de braços abertos,
Pois mesmo distante estarei muito perto,
E na distância tão ofegante do coração,
Sou o rócio que sai da noite, para enfeitar sua floração.

quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

OS BOIS






OS BOIS

Por caminhos tortuosos eles passam,
Na dança complexa para a morte,
Pelo corredor olhando o fim,
Um parente está morrendo.

Ouvem urros de dor no horizonte,
E martelos batem como em sinos,
O suor passa em suas lágrimas,
Avisando que está próximo o seu fim.

Abrem-se as portas das grades,
Que estão ali a lhes fechar,
Mas em sua frente está o carrasco,
Esperando para o martelo lhe tragar.

Chega o carrasco lentamente,
O seu coração pulsa e sente dor,
O martelo vem descendo lentamente,
Arrebenta seu crânio lhe despedaçando a vida,
Nem deu tempo de se despedir.

JUSTITIA





JUSTITIA

Todos sabem que a Justiça é igual para todos,
Mesmo para aqueles que vivem seus limbos, lodos,
É a vontade de dar a cada o que é seu,
Como em vários livros se leu.

Mas podemos dar mais do que é de direito,
Temos um amor fincado em nosso peito,
Que nos diz que a riqueza é uma dádiva,
Que só é dádiva quando supera a dívida.

Todos têm direito neste caminho tortuoso,
De encostar a cabeça num ombro amoroso,
Chorar seus erros, seus passados inglórios,
As contradições dos pensamentos simplórios.

A Justiça é imparcial, pronta para ser espalhada,
Desde o rico no terraço ao bêbado na calçada,
E o que é feito ou omitido jamais será apagado,
Numa eterna cadeia, num fim jamais encontrado.

A reparação ou remorso geram o perdão,
Está livre o coração, mas a alma não,
Por isso o amor é o grande remédio,
O único que recupera a alma do sacrilégio.

Justiça é recuperar tempo perdido,
Coisas criadas, um mal esquecido,
Somos os juízes de nossos atos,
Somos os nossos Pilatos.

Justiça é Amor incondicional.

VIAJANTES DO TEMPO?






VIAJANTES DO TEMPO?

Quem são estes notáveis que surgem no mundo?
Será que são de um futuro oriundo?
Ou apenas uma mente que viajou na Sabedoria?
Insatisfeitos com o que viam no dia a dia?

Quantos profetas, médicos, engenheiros, santos e cientistas,
Todos com suas artes, suas expressões de artistas,
Da Vinci com helicópteros, metralhadoras, roupas de mergulho,
Alguns papéis por si queimados, junto com alheio orgulho.

Nostradamus e suas profecias difíceis de entender,
Médico sem diploma, curava com mágico poder,
Citando lugares e nomes que viriam existir,
E ainda existe muito que está por vir.

Apolônio, que afirma vir de outro lugar,
Luzes irradiantes, autômatos, o mundo romano mudar,
Talvez, autor do incêndio em Roma,
Que o imperador Nero levou a fama.

Einstein falando sobre a relatividade,
Campbell unificando a idéia de religiosidade,
Somos medíocres perto destes pensadores atemporais?
Estes seres diferentes de pessoas normais?

Quantos se foram e outros que virão,
Abrindo a mente ou o coração,
Lembrando a humanidade de viver,
E as coisas do mundo tentar compreender.

O CAMINHO DO BARDO






O CAMINHO DO BARDO

O caminho do Bardo também tem espinhos,
Mas tem amor, músicas, deliciosos vinhos,
Na chaleira um chá pra esquentar do frio,
No calor, um banho nu no rio.

De noite cantando para a amada adoçar,
Numa roda de amigos poesias declamar,
E o Bardo descobre o seu caminho,
Com cuidado trafega com muito carinho.

É madrugada e o dia está surgindo,
É hora de partir, o caminho ir seguindo,
Deixar para trás mais uma pessoa amada,
Sabendo que nunca se acaba a jornada.

No céu, a águia com voo imponente,
Como uma Fênix renascendo de repente,
Seu olho procura o que está escondido,
O Bardo procura o que foi esquecido.

No sono da tarde, na sombra do carvalho,
Despertando molhado pelas gotas do orvalho,
É hora de voltar para o caminho infinito,
Buscando em sua viagem o seu próprio mito.

sábado, 12 de janeiro de 2013

SER






SER

Entre grandes árvores caminha o viajante,
Um ser que trafega pela vida, um amante,
Vida que encanta com seus momentos,
Muitos, felizes, outros, apenas lamentos.

E a vida continua mesmo depois do presente,
Com coisas guardadas no baú da sua mente,
Coisas que virão num futuro em sua frente,
Quando estiver preparado pra ver diferente.

Por enquanto a vida é bela e singela,
Um quadro pintado com nobre aquarela,
Onde descobrimos nosso verdadeiro ser,
Fora de todos os pecados que achamos ter.

Olhe bem este mundo maravilhoso,
Veja quanto podemos fazê-lo engenhoso,
Tudo que a humanidade pode criar,
Para que a vida seja cada vez mais salutar.

Não vamos mais pensar no mal que existe,
Naquilo que prejudicar a vida insiste,
Não deixe que obstáculos te deixem triste,
Lembre-se apenas de todo o bem que viste.

Brindemos a oportunidade de pensar,
E nestes pensamentos imaginar,
Uma vida, um mundo, sem seus problemas,
Estes são passageiros, portanto, não temas

Elder Prior

HINO À HÉCATE


   



    Hino a Hécate

    Ó Deusa, de obscuros e sombrios lugares,
    Aquela que infesta e abandona os lares,
    Em busca de aventuras e ilusão,
    Tentando apaixonar o coração.


    Enquanto dormes ó formoso Apolo,
    Hécate mostra a exuberância do teu colo,
    A noite mágica que a todos iludem,
    É o momento exato para que todos estudem.


    E tu acordas, exuberante Apolo,
    Hécate se esconde nas profundezas do solo,
    O dia mágico que a todos chama,
   Abre as portas para que prossiga a vida mundana.


    A Deusa dorme enquanto a luz se acende,
    Enquanto a alma por causa da vida se vende,
    E a luz criadora precisa novamente das trevas,
    A luz criadora procura novamente em suas Evas.


    E Apolo volta ao seu sono profundo,
    Hécate se levanta novamente de seu mundo,
    As pessoas voltam ao mundo de ilusão,
    Procurando algo para confortar o coração.

domingo, 6 de janeiro de 2013

HADES


         
        


        HADES



         Quantos entram e não mais voltam de abismo infinito,
         Infinito por perder-se a noção do tempo que nos acompanha,
         Estar preso nas dimensões dos desejos e instintos,
         As paixões do mundo que novamente te abocanha.

         Então os anjos vêm e tentam te levar, te acordar,
         Mas os demônios que você criou são mais fortes,        
         Estão neste plano cósmico para te derrubar,
         As guerras vêm para vencerem as mortes.


         Oh! Mundo de pessoas impuras que abusam do tempo,
         De histórias cristalizadas com a morte da alma,
         As indulgências viviam junto com o pesadelo lento,
         E o tempo passa com a consciência calma.


         Chega um momento em que as pessoas acordam desta ilusão,
         E vêem o que realmente podem ver fora da realidade,
         Aprendem a viver de acordo com o que dita o coração,
         E buscam o limiar de toda a felicidade.

NUCTIS






NUCTIS

Quando a escuridão acorda e traz o frio,
Quando as almas se levantam do rio,
A noite rompe e abre sua vasta escuridão,
E nos sonhos a humanidade se perde em sua ilusão.

A deusa da noite surge no meio dos sortilégios,
As bruxas com suas vassouras se aplicam nos dias régios,
Por leis que falam de coisas que não se pode saber,
Coisas que nem todos podem conhecer.

A escuridão traz espíritos que se escondem no passado,
Deixando aos demônios o que deveria ser realizado,
Onde estão os videntes deste mundo de escuridão?
Quem vai exorcizar a vida que surgiu da podridão?

Vampiros, Licantropos, Elfos e Demônios,
Deuses, Bruxas, Duendes, Fadas e Unicórnios,
Muitos usam apenas nomes por pseudônimo,
Outros usam disfarçarem seus cornos.

E viva Nuctis! Que abre a janela para a escuridão!
Abre em sua frente um vasto mundo ignorado,
Coisas proibidas por sua religião,
Coisas que dentro dos dogmas estão erradas!

A noite se abre para aquele que abre sua mente. 

quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

IMPEDÂNCIA







IMPEDÂNCIA



Nada pode me impedir de ver além da casca do ovo,

Não quero continuar preso nesse eterno “de novo”.

Quero abrir o portão e descobrir o que tem lá fora,

Lá no infinito onde a Sabedoria mora,

Lá na escuridão onde o medo aflora.



Não me impeça de viver mundos paralelos,

Não me prenda, não me julgue com seus martelos,

Sou uma alma livre para se transformar,

Um meta-morfo em uma vida a realizar,

O paradoxo de viver e se matar.



Enquanto eu vou e sou impedido,

Enquanto eu voo e sou impelido,

Um mundo aberto se faz, lá atrás,

E o Amor diz: Vai lá, rapaz!



E o Medo, esta má companhia,

Embriaga-me com sua mania,

De esperar em cima do muro,

Até que se ilumina o que está escuro.



Mas qual importância se tem na vida?

Se não for na maçã dar a próxima mordida?

Sentir o gosto de o açúcar tornar-se veneno?

E o rocio da Lua tornar-se sereno?



Vivo a vida em sua manifestação plena,

Tornando grande o que fazem pequena,

Tornando a Impedância mais amena.