segunda-feira, 23 de dezembro de 2013

DIONISIUS





DIONISIUS

Estavas tão linda, naquela festa, iluminada,
Com seu vestido verde, sua pele acetinada,
Uma tatuagem de borboleta nas costas,
Asas abertas, pernas, uma beleza à mostra.

E um jovem Bardo, correndo os olhos pelo salão,
Estavas tão linda, com uma taça de vinho na mão,
E Dionísio sussurrou ao meu ouvido:
_Amigo Bardo! Dos licores, o amor é o meu preferido!

Com seu poder de inebriar as jovens donzelas,
A mim embriagou, com o licor de uva tão bela,
E o êxtase de vida caminhou entre as curvas,
Longe estávamos numa campina escura, turva.

E como um jovem que nunca provou tal licor,
Se enamorou pelo desejo deste seu amor,
E cúmplices de Dionísio fomos querendo,
Afinal, coisas se atraem, ouvindo o atrito, gemendo.

A festa chegou ao seu final,
Voltou para o vestido, guardou o cálice divinal,
A borboleta voou entre as pernas do céu,
_Obrigado Dionísio! Por me ter aberto este véu!



EROS E ANTEROS



EROS E ANTEROS


Muito nos atrai,
Mas, muito nos trai,
E o poder de atração pode fazer o milagre,
Ou transformar o vinho em vinagre,
Que embeberá a boca amargando a sede,
Será uma aranha construindo sua rede,
Sua prisão de pensamentos que atraiu, e nos traiu.

Mas Eros não é tão cruel, muitas vezes levanta o véu,
E vemos que a vida não é tão difícil de entender,
Temos somente, que dar uma pausa neste correr,
Porque Eros só pode nos alcançar quando paramos,
E enxergamos o que fizemos ao longo dos anos.

O que o irmão Anteros nos fez deixar no passado,
Aquilo que Eros jamais verá no futuro recuperado,
Vamos caminhando na eterna luta de Eros e Anteros,
Com os dons de atrair e repudiar da vida, os elos,
Alguns que nos fizeram crescer e ver atrás do horizonte,
Outros que  nos fizeram perder a pura água da fonte.

No meio do jardim, a flor é eternamente plantada,
Uns querem o cheiro da rosa, exuberante e perfumada,
Outros preferem os espinhos e os tropeços pela estrada.

sexta-feira, 6 de dezembro de 2013

PEDRAS NO CAMINHO




PEDRAS NO CAMINHO

Pedras soltas no caminho, num mundo sozinho,
Pisoteando o orgulho ferido, de um leão que pensa ser Rei,
Mas o que existe de tão triste na beira do caminho?
As pedras realmente falam, línguas esquecidas,
Que outros povos um dia compreenderam,
Mas os locais, jamais serão os mesmos,
E as pedras do agora já foram os castelos de outrora,
Os ossos enterrados na areia foram grandes reis,
E tudo passou pelas areias da ampulheta,
A sabedoria transformou-se em cinzas,
De uma fênix que não soube voar,
Ideias e mensagens que se perderam no tempo,
Ou, que foram, por sacerdotes, escondidas nos templos.

Pobre humanidade que se acha o centro do Universo,
Não enxerga que a imagem do espelho é o inverso,
E os demônios são soltos pela ganância de engolir o tempo,
De beber o vinho posto no sumo da árvore,
Que fica, no meio do Jardim das Hespérides,
Onde chora o dragão, e se senta pensativo o Buda,
Onde crucificam o Cristo, e se esquecem de Deus.


IGNORÂNCIA - AVIDYA



IGNORÂNCIA - AVIDYA

Um dia parei pra pensar neste mundo imenso,
Que não cabe num pedaço desconfiado do que penso,
Em seu movimento perpétuo, seu ritmo sutil,
Uma respiração de um universo que a mim surgiu.

E os meus pensamentos seguindo a mesma sintonia,
Com velocidade, querendo atropelar a alma que esvazia,
E que se enche em fontes vindas de um jardim,
Distante deste mundo veloz, tão próximo do fim.

Onde irão estes mundos em seu caminho infinito?
Onde vai o pensamento que nunca foi dito?
Os números se espalham pelo mundo que vemos,
Somam, subtraem, multiplicam, dividem, o que não percebemos.

Somos partículas de poeira, frente ao espaço existente,
Cada uma em seu próprio caminho, dentro de suas mentes,
Obcecados pela ilusão de que se é algo diferente,
Não enxergando quanto de tudo e de todos, somos dependentes.

( baseado num antigo texto do Budismo Tibetano)  

sábado, 30 de novembro de 2013

OCCULTA PHILOSOPHIA



OCCULTA PHILOSOPHIA

O velho mago esqueceu do azeite da lanterna,
Comprou fumo de corda, fósforos e pão,
Deu de presente um vinho ao bardo louco,
Pela paciência de esperar, na agitação, a calma.

Na loucura, o bardo roubou os pensamentos mágicos,
Espalhou pelo mundo, criando monstros sagrados,
Unicórnios saltitantes, Elefantes falantes, Demônios aterrorizantes,
Recolheu de todos uma semente pra criar o Alcahest.

E nas noites, enquanto as bruxas realizam seus sabás,
E outros se inspiram, nos suspiros das virgens,
Lá está o velho mago, acendendo a lanterna imortal,
Lá está o bardo louco, fazendo uma ode às musas.

Se alimentam do vinho criado na retorta,
Olham para o futuro em sua Pedra Filosofal,
Usam o Santo Graal para recolher o rócio do céu,
Orações e grimórios, chamando, clamando, outro lugar.

Algo passa piscando, brilhando na noite,
Seria um astro, um anjo, uma bruxa, um disco voador?
Acredita o astrólogo, o religioso, o mago, o ufólogo,
Nas teorias, que de tantas teses, antíteses, sínteses,
Tornaram-se reais.

Elder Prior. 29-11-2013

CHUVA TRISTE







CHUVA TRISTE

A chuva cai lá fora,
Lágrimas do céu, nuvens em pranto,
Na solidão, pela janela, sozinho em meu canto,
Canto de saudade de tua voz nos ouvidos,
Seus sussurros, suas risadas, seus gemidos.

A garoa não quer parar,
Gotas úmidas que a alma refrigeram,
E o frio umedece os pensamentos que esperam,
Se apressam em buscar sua bela imagem,
Daquela fotografia de sua última postagem.

As folhas colheram seu pranto,
O pranto de quem longe ainda recorda,
E no coração triste, de amor transborda,
Sente a dor presa em seus sentimentos,
Riscando na alma, palavras e juramentos.

Caíste molhando o chão,
Não me levante da lama, não faça caridade,
Apenas deixe fluir com suavidade,
O lamaçal um dia estará verdejante,
Repleto de flores e pessoas de andar elegante,
Estarei na sombra de um velho Ipê,
Esperando outra chuva, esperando você.



Elder Prior.

MIXÓRDIA 22




MIXÓRDIA 22

O templário perdeu sua cruz na escuridão vermelha,
A chuva levava os ácidos que corroíam a morte,
Mudanças que o mico adestrado não enxergava,
Enquanto não sabia a função do espelho.

Acenderam velas em busca de alguma santidade,
Mas o rio levou consigo as últimas espadas,
Lá no alto da montanha sorri o condor,
Sabe que seu alimento rasteja entre a relva.

Pobre homem que acredita na embriagues,
Uma taça molhada de veneno mortal,
Um anjo decide tocar a musica do silêncio,
Uma melodia que derrubou muralhas.

Enfim, uniu-se sob um só nome,
Um guardião que se banha na juventude da fonte,
O cavalo alado traz sobre si o mensageiro,

Abrindo a porta selada do novo amanhã.

sábado, 23 de novembro de 2013

A POÉTICA MUTAÇÃO - APROXIMAÇÃO ( A LANTERNA DO CEGO)




A LANTERNA DO CEGO

Parábolas que explicam para não se entender,
Palavras compradas que não são pra vender,
O orador impõe sua métrica falsa,
Com sua poesia, sua voz realça.

Aproximam-se dele os iludidos,
Pela mágica das palavras, confundidos,
Já não pensam, preferem a manipulação,
Ser apenas um grão no meio da multidão.

Aproximam-se dele os convictos,
Os que já deram antecipados vereditos,
Tudo é verdade, foi o que testemunharam,
Toda mentira dispersa, presos os que caluniaram.

Mas o gosto da cicuta amarga na mente,
Cada qual, com sua certeza, sabe o que sente,
A voz da consciência vem e te condena:
_Deixa a hipocrisia! Vem cumprir sua pena!

E eu, com minha pena na mão,
Uma alma penada no meio da ilusão,
Meu sangue, como tinta, uso para escrever a vida,
Se aproximando do fogo para cauterizar a ferida.

Parábolas engasgam em minha garganta,
Palavras que aprendi, você não se levanta,
Jaz como uma lampada que perdeu a energia,
Acreditou na lábia da falsa magia.



terça-feira, 19 de novembro de 2013

A POÉTICA MUTAÇÃO - O RETORNO





Sei que andei sem saber direito pra onde ir,
Sai, sem vontade de dizer que ia partir,
Meu coração partido me desejava uma mágoa,
Na pureza de meu sentimento por ti, sem mácula.

Subi pelas montanhas que imaginei vencer,
Mas somente andei sem destino, sem perceber,
Desci aos vales escondidos pela floresta,
Procurando aquilo que dentro de mim, ainda resta.

Vou voltar, depois de voar com asas de cera,
Vou trazer minha alma cansada de tanta besteira,
Talvez a viagem que fiz por lugares distantes,
Estão todas anotadas nos escritos dos instantes.

Vou voltar, depois de gastar meu último pantáculo,
Descobrindo que a vida é um imenso espetáculo,
Onde sou apenas o bobo em sua cena grotesca,
Se queimando ao Sol, sonhando com sombra e água fresca.

Agora, piso nas folhas espalhadas pelas estradas,
Estão todas secas, as flores se perderam das fadas,
E no silêncio ando, retornando de onde saí,
Sabendo agora, meu lugar de direito é aqui.

quinta-feira, 31 de outubro de 2013

SETH




SETH

Eles são Sete, Sete eles são,
Sete demônios, sete irmãos,
Sétimo filho do sétimo filho,
Sétimo dia da criação.

Sete notas, sete sons, sete músicas,
Sete cores, sete tons, sete quadros.

Sete sentidos, sete contrários,
Sete igrejas, sete castiçais,
O filho Seth foi o que sobrou,
E o primogênito ele marcou,
Com sete marcas no corpo ficou,
Sete corpos crucificou.

Sete leis, sete mundos, sete vidas,
Sete planetas, sete trombetas, sete feridas.

  
Sete tempos o mundo girou,
Sete dias, o que sobrou,
Sete línguas que falam de paz,
Sete grandes religiões.

Sete vícios, sete desejos, sete virtudes,
Sete palavras de redenção,
Sete infernos de inspiração,
Sete momentos de Jesus na cruz.

sábado, 28 de setembro de 2013

CIDADANIA




CIDADANIA

Dizem que votar é ato de cidadania,
Para os pobres brasileiros que de tudo faz mania,
E votam em dois turnos como se fossem campeonatos,
Nos mesmos políticos de sempre, enroladores natos.

Dizem que ser castrado de liberdade é cidadania,
Assim ninguém perde sua suada hegemonia,
São sempre as mesmas lacraias no poder,
Porque é cidadania do povo merecer.

Com urnas eletrônicas é mais difícil anular,
Quando é tudo eletrônico não tem como burlar,
E muitos tendo mais chances de errar,
Festa para os políticos, mais chances de ganhar.

Cidadania é estar insatisfeito com a corrupção,
Saber que nada muda em toda eleição,
Mudam as caras safadas todos os anos,
Educação, saúde, segurança, moradia são seus planos,
E o Brasil continua sendo colônia há mais de 500 anos!!!

Acorda Brasil!!!

OLHOS DE FOGO



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OLHOS DE FOGO



Cabelos rubros, olhos de fogo, fátuo, delírio,

Rosa vermelha, carmesim, jasmim, um lírio,

Vestes sagradas, sangrentas, paixão e desejo,

Carícias insanas, tentações, uma boca, um beijo.



Roupas rasgadas, fênix maculada, fogo interno,

Delírios, embriaguez, anjo e demônio, céu e inferno,

Corpos suados, molhados, apertados, infiltrados,

Lâmina, taça, vinho e leite, desejos saciados.



Cansaço vencido, corpos caídos, cabelos grudados,

Músculos relaxados, pele avermelhada, segredos guardados,

Entre pernas entrelaçadas, respiração acalmada, sorriso dado,


Olhares trocados, fogo exilado, tudo terminado.

LUZ


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LUZ



Surgiu imponente a luz bela e serena,

Em sua envoltura, vento e temperatura amena,

Iluminando o meu olhar com sussurros molhados,

Acalmando minha alma, meus desejos extasiados.



A Luz quis dormir em meu coração,

Quis fazer morada dentro da minha ilusão,

Mas a ilusão é tão passageira e com tempo marcado,

E a Luz jamais pode ficar de lado.



Foi muito tempo que fiquei longe, dos seus afagos, seus abraços,

Não se pode fugir do destino, não se pode afrouxar o laço,

Pois as coisas que são nunca deixarão de ser,

Aquilo que buscamos e fazemos por merecer.



E assim a Luz propaga sua simpatia eletrizante,

Inundando corações, enaltecendo os amantes,

Libertando o amor de suas palavras deliciosas,

Poesias que batem como caldas calorosas.



A luz continua em seu caminho iluminado,

Passeando pela escuridão não a deixando de lado,

Apenas sabe que seu complemento é a ausência,

Daquilo que não existe em sua essência.

quarta-feira, 25 de setembro de 2013

NÃO SER


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NÃO  SER


Ás vezes é melhor esperar, observando o caminho,

Perceber que o tempo nunca muda sozinho,

A beleza e o feio acompanham o doce festejar,

As coisas andam como têm que andar.


Não apresse aquilo que tem seu tempo de existir,

Como um rio entre as rochas, que insiste em fluir,

As barragens que lhe dão mais força para expressar,

A energia elétrica para maravilhas carregar.


A arte da guerra é saber quando agir,

De maneira que no mundo saiba interferir,

Sem que não cause males ainda maiores,

Causando apenas coisas para que tu, melhores.


É melhor compreender a verdade do mundo,

Antes que a carregue com um erro profundo,

De achar que sabe tudo,

Quando devia calar-se, ficar mudo.

SEMENTES



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SEMENTES



Espalhando sementes em campos arados,

Nos vícios dos mundos, seres desanimados,

Onde tudo parece estar de cabeça para baixo,

Figura gravada na carta do Enforcado.



Mas surge no horizonte a Esperança,

Brindando com taças de sutis lembranças,

Tirando do rio da vida o amor nela contida,

Que busca em seu leito curar a ferida,



Coagula-se o sangue daqueles que sofreram,

Dissolve-se o mal para os que correram,

E tudo está naquilo que desejamos,

Nos pensamentos que damos formas, quando acordamos,



É tempo de agir por sua vontade,

Que não tem caminho, nem tem idade,

Todos podem lutar por um ideal,

Mesmo que nem todos pensem igual.



Sempre haverá uma semente pra plantar,

Sempre haverá aquele que irá gostar,

Colher o fruto daquilo que você plantou,

E com tanto carinho cultivou e regou,

Para o que era apenas um sonho escondido,

Tornar-se vida, um algo vivo, vivido.

VIDA LÚDICA


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VIDA LÚDICA              



A vida é um jogo de princípios e fins,

Meios pelos quais buscamos a essência lúdica,

Erros e acertos que são analisados pela sorte,

O livre arbítrio de seguir o caminho penoso.



A harmonia se esconde entre as asas dos anjos,

Que brigam pela sua alma vazia de ideias,

Buscando coisas fúteis em pensamentos inúteis,

Um dia atrás do outro sem perdão para a consciência,

Que esbarra na ciência criada para explicar Deus.



Jogam-se os dados da roda da fortuna,

Na arte da guerra do tabuleiro de Xadrez,

Uma vida de conflitos explicados nas cartas de Tarô,

O poder de pedra e a força para levantar a Runa.



Intrigantes intrigas povoam sua mente,

Um Maha Lila de espadas e serpentes,

Anjos do bem e do mal na balança universal,

Velas lúdicas indicam o jogo no castiçal.



A vida é um jogo com princípio e fim.

segunda-feira, 9 de setembro de 2013

TAÇA DE CRISTAL




TAÇA DE CRISTAL



Dei-te uma taça do mais fino e puro cristal,

Onde havia meus pensamentos e sentimentos livres do mal,

Onde depositei minha realidade mais escondida,

Dei-te o melhor de mim e o desejo da vida.



Mas fizeste da taça apenas um repositório de cinzas cheiradas,

Um incensário vazio, misturado com óleo barato,

Daqueles que derramam e engorduram o prato,

E fazem a balança pender do lado das coisas impensadas.



Misturaste as ondas e o barulho do vento,

Dentro da taça vazia para gerar o tormento,

Que na penumbra dos dias se perde nos seus olhos frios,

Derramando o sal nas águas doces dos rios.



Melhor seria ter-te dado um copo de vidro barato,

Que se dissolve na areia deste mundo ingrato,

Sem beleza para conformar aqueles que realmente sabem o que é o amor,

Para aqueles que sabem no que se tem que dar valor.



Mas agora é tarde, o tempo das chuvas se foi com as brumas,

E o frio na janela bate querendo entrar em minha alma,

As lembranças ficaram, algumas,

Nesta tarde gelada, tranquila e calma.

ROSA DO JARDIM




ROSA DO JARDIM



Eras a rosa mais bela no meio do jardim,

Fazendo inveja às margaridas e ao canteiro de jasmim,

As abelhas em seu néctar de embebedavam,

Em sua beleza alucinavam.



E a rosa tornou-se tão bela que um dia alguém a apanhou,

Colocou-a em um vaso, solitária ficou,

Uma vida dentro da redoma que sua beleza criou,

Uma sorte que sua beleza raptou.



A beleza da rosa se exauriu pela água vazia,

Na tristeza agora, ela passava todo o dia,

Já não tinha mais o brilho que tinha na luz do Sol,

Sua alegria não alimentava mais a tristeza do caracol,



A rosa tornou-se apenas espinhos,

Onde as serpentes escolheram para fazerem seus ninhos,

O tempo de beleza se foi, e a água insípida acabou,

Nem beleza, nem odor, nem cor, nada adiantou,

Finalmente a morte chegou.

terça-feira, 27 de agosto de 2013

OLHOS MIÚDOS




OLHOS MIÚDOS

Estes olhos miúdos que me olham,
E me levam ao templo da perdição,
Os meus olhos os teus olhos buscam,
E a paixão incendeia o coração

Este teu sorriso me fascina,
Como uma flor que encanta a abelha indecisa,
Você com seu jeito de menina,
Mulher que me acende quando a alma precisa.

E tudo tão longe fica na proximidade do calor,
Nada mais existe neste momento de amor,
O passado passa, o presente some, o futuro acontece,
O tempo não existe, das tristezas se esquece.

Venha me encantar com seus olhos de princesa,
Venha me encontrar, me coroar com delicadeza,
Seremos os reis de nossos castelos floridos,
Num mundo cercado de amor e sorrisos colhidos.

PEREGRINO




PEREGRINO

Meu coração peregrino que anda pelos vales da vida,
Com idéias na cabeça e a alma dividida,
Entre o mundo em que me embriago,
E o mundo que acaricio com doce afago.

Mas longe, distante estão entre si,
Duas visões distintas de tudo que vi,
E verei ainda com a s lentes mágicas da alma,
Com a consciência liberta pela calma.

Sentir o vento de coisas novas que crescem,
Num mundo que não para, idéias florescem,
E aqueles que se prendem ao passado não verão,
Estarão trancados nos velhos cadeados da solidão.

Uma solidão que não é o ato de estar só,
Mas ficar preso em coisas que já viraram pó,
Em coisas que são apenas lembranças de um caminho,
As últimas palavras escritas num pergaminho.

Se embriagar com aquilo que é novo,
Quebrando a casca e saindo do ovo,
Por enxergar o imenso sol que te ilumina,
Antes que seu tempo passe na sua vida pequenina.

OLHOS NEGROS




OLHOS NEGROS

Vestida de negro, olhos negros, iluminada,
Andava macio, um beijo vazio, alucinada,
Algo de triste, te feriste, como uma adaga,
Talvez um amor, um prestidigitador, uma mágoa,
E seus caminhos, sinuosos e sombrios, passeia,
Olhar vago, sem vida, muda sereia.

Erga-te e veja que ainda existe a lua cheia,
E que a viúva negra continua tecendo a teia,
Inóspita no meio de tanta maldade,
Não te deixam ser o que você é na realidade.

Mas um dia a sereia vira fada,
Por um grande amor, sem trevas, será acariciada,
Um beijo, a bela adormecida dos sonos profundos,
Descobrirá a felicidade e a alegria, enxergando novos mundos.

E os olhos negros se iluminarão,
Seus vestidos, muitas cores terão,
Dançarás aos sons de faunos e bardos,
Ouvirás os sons das esferas de dias estrelados. 

A MONTANHA




A MONTANHA

Subindo bem perto do infinito,
Onde o céu beija a terra em seu rito,
O Sol suspira o alento da vida,
A terra germina sua mágica colorida.

Eu toco o céu com um dedo,
Novo Michelangelo buscando um segredo,
Abrindo entre as nuvens obscuras da mente,
Uma luneta que observa com mágica lente.

Lá está, aquilo que está escondido,
Tão perto e tão distante do hálito expelido,
E sinto meu corpo dentro de tudo que vive,
E sinto que tudo vive dentro daquilo que retive.

A consciência de que posso subir a montanha,
Tornar o acesso fácil por uma estrada estranha,
E os que vierem depois, encontrem lugares marcados,

Onde possam descansar seus pensamentos sagrados.

COLIBRI




COLIBRI

Ouço sua voz nas gotas da chuva,
Dizendo-me que sente saudades,
Mas a saudade diz que a vida dá voltas,
E nem sempre gera a felicidade,
E os desejos se escondem dentro de um grão,
A pedra no sapato de qualquer cidadão.

Não me olhe com seus olhos de pimenta,
Feito ave agourenta,
A saciar seu desejo de me degustar,
Como um prato de especiarias vazias.

Um leito de colchas retalhadas pelo tempo,
Penso no que sinto pela vida,
Que traz a felicidade nos momentos,
E demora passar com a tristeza,
Nos cantos dos pássaros mórbidos,
Na suavidade de uma borboleta,
Tu estás, me vigiando em seu coração,
Querendo voltar no tempo dos castelos e fadas,
Das velhas idéias por mim exageradas,
Nas regras quebradas,
Na vida que ficou num mundo que passou,
E que no triunfo de chegar no futuro,
Na história escondida tropeçou. 

quinta-feira, 15 de agosto de 2013

ESPINHOS




ESPINHOS

Espinhos de rosa perfuram meu coração,
Com pensamentos de amor e ilusão,
Que se acaba como uma pequena canção,
E a ilusão se vai pelo caminho do carinho.

Sei que neste trajeto não estou sozinho,
E a beleza singela se escondendo no cheiro da rosa,
Mas encanta em suas cores penetrantes,
Que penetram em profundo desejo de amar.

DEUS ANDA NU




DEUS ANDA NU

Vou por aí vencendo meus sacrifícios,
Criando as luzes que iluminam os orifícios,
Nas entranhas da minha mente inquieta,
Em devaneios, minha vida agitada arquiteta,
Buscando a beleza da vida escondida em detalhes,
Nos pormenores deste mundo criado nos entalhes.

Suas maravilhas observadas como uma fotografia de paisagem,
Refletindo Deus escondido dentro de sua imagem,
Um Deus que não faz questão de que o vêem com tantas roupagens,
Mas na verdade anda nu, brincando com o céu, semeando as pastagens.

Se sacrifica pelo mundo que continua cego,
Perdido em seus vícios, dominado pelo Ego,
Abrindo portas de luz que ofuscam as almas,
As mentes apressadas em suas mortes calmas,
Sorvendo o elixir da vida com ansiedade,
Engasgando com as verdades nos entalhes da realidade,
Que se escondem na luz que chega na aurora,
E mostra o rosto apenas na derradeira hora,
Lhe dizendo que nada adiantou se esconder,

Pois as folhas da uva são pequenas para sua mente conter.

ARCO IRIS




ARCO IRIS

Morremos a cada dia escolhendo nossos caminhos,
Por uma estrada que construímos, além do muros vizinhos,
A terra árida, que deixamos da arar para semear,
Com atitudes e palavras para exercer o verbo amar.

No semblante a insegurança para escolher por onde ir,
Como ajudar fazer algo novo, uma nova ideia construir,
Mas para o novo surgir o velho deixa de existir,
É uma pena amarga que ninguém quer possuir.

Morremos a cada dia procurando novos caminhos,
Destoando de nossas ideias e fugindo dos nossos ninhos,
Somos pássaros emplumados procurando um novo horizonte,
Nele a paz tão procurada, no fim do arco íris, nas águas da fonte.

Os poderes jamais encontrados nas palavras escondidas,
Nas mentes mortas pelo tempo em cantos esquecidas,
Ideias que buscam uma montanha para escalar,
E lá de cima acender uma lanterna para iluminar.

sábado, 27 de julho de 2013

ESTRELA DE BELEM




ESTRELA DE BELÉM

A Estrela que vai brilhar mostrando o destino,
Aos Magos do oriente um caminho até o menino,
Onde tudo se concentra num símbolo de amor,
e muitos seguidores o vêem como um valor.

A Estrela brilhou na mente de alguns escolhidos,
Na mente daqueles que dentro de si estavam recolhidos,
Para que pudessem enxergar além do mundo terreno,
Onde a humanidade divide tudo com seu ego de veneno.

A Estrela ainda brilha no coração dos que amam,
Independente das coisas ilusórias criadas pela mente,
Por idéias diferentes que num novelo se embramam,
Uma praga de maldade, da discórdia a semente.

Quem sabe um dia todos enxerguem a mesma Estrela,
E todos se alegrem da mesma forma em vê-la,
Descobrindo que sua luz é a mesma em todo lugar,
Só muda as cores e a intensidade de brilhar,
Para que todos, cada um de um jeito, possam enxergar.

DONOS DO MUNDO




DONOS DO MUNDO

A maldade que flui nas veias do terror,
Daqueles que desejam o poder e o valor,
Idéias que te fazem escravos de idéias concebidas,
Mercado de um grande monstro, mentes iludidas.

Grandes tecnologias, banquetes mentais e visuais,
Até onde chegaremos com a sede de querer mais?
De onde vem esta quantidade de coisas artificiais?
Pois na realidade nada é artificial,
Tudo é transformado pela mente humana,
Que transforma o que existe na natureza,
Para gerar algo diferente em sua estranha beleza.

Mas o que ficará quando o lixo acumular?
Quando não houver mais nada pra transformar?
E a humanidade não tiver mais lugar para morar?
Será que buscará uma nova Terra interestelar?

Ou os donos do mundo já estão fazendo isso,
Com seus telescópios gigantes, este mundo omisso,
Onde coisas acontecem por trás das cortinas pesadas,
Num mundo controlado por idéias disfarçadas,
Onde a pobreza está escondida atrás da escravidão,
Uma escravidão que aprisiona elos desejos do coração,
Que se apaixona pelos artifícios da ciência,
Preferindo abster-se de usar a inteligência.

CAIXA DE PANDORA




CAIXA DE PANDORA

Um sentimento que vem de dentro, um vento,
Uma nova vida com uma pá de pedreiro, prestes a construir,
Sai a donzela de seu mundo obtuso, foge do convento,
Pois suas paredes seculares estão para ruir.

E o mundo abre as portas para o que virá,
Um mundo de possibilidades que se alcançará,
Enquanto catástrofes moldam as palavras de Deus,
Criando vida na matéria inerte dos ateus.

E novas torres são construídas para alcançar o céu,
Novas idéias sugeridas com o alinhamento do Sol,
As luzes do mundo transformam néctar em mel,
As mesmas luzes fazem a lesma se esconder no caracol.

Talvez uma cornucópia esteja escondida,
Dentro da mente humana inerte e esquecida,
Esperando as crianças que ainda brigam por seus doces,
Deixem de achar que tudo o que existe são posses.

Quem sabe os que brigam por um ideal,
Se unam para construir uma torre para o amor universal,
Onde reis e plebeus possam transformar água em vinho,
Pão em carne, para alimentar o verdadeiro caminho.


ABSURDA VERDADE




ABSURDA VERDADE

O menino corre pelas campinas,
Com suas mangueiras silvestres, singelas vestes,
Vivendo seu sonho de que o mundo é tão belo.

E longe dali, o Sol, entre as nuvens escuras,
Atrás das avenidas não tão seguras,
Vivendo um sonho não tão estranho ao mundo.

Sentado na praça está o ancião jogando milho,
Olhando no tempo a vida que foi perdendo o brilho,
A Lua se esconde por trás das grandes torres escondidas.

O menino e sua pipa, homens e sua grandeza,
O Sol ainda brilha no coração da gentileza,
E se iludem aqueles que adoram a Lua,
Em seu passar tão rápido pelo mundo,
Em suas fases de frases perdidas pelo mundo,
A maré sobe e lava a mão imunda,
A mente humana a indecisão inunda.

As críticas nascem e não mudam,
Tecnologias que nas marés afundam,
Mas ainda lá no horizonte surge o Sol,
O menino ainda brinca nos campos,
As cidades não param em seus encantos,
O ancião se perde em sua vida de desencantos,
Escravo daquilo que fez e do que gostaria de fazer.

OS POBRES



OS POBRES

E quando a tempestade cai surge esperança,
De dias que virão e ficarão como lembranças,
Verdades faladas, planejadas para parar a chuva,
Limpar os canais, lavar a alma, adoçar as uvas.

A Terra se inunda de amor e poder de fé,
Tudo o que existe em vida, saber como é,
O mundo é singelo em seu rumo complexo,
Misturando amor, ódio, castidade e sexo.

Embriaga o ébrio, na sobriedade da vontade,
Querendo alimentar o desejo na sua vida de Aladim,
Sabendo que a tempestade terá um trágico fim.

A comédia vira tragédia com o fim do riso,
A esperança apenas sorri entendendo o prejuízo,
Mas nunca é tarde para ter fé e seguir em frente,
Mudar as tempestades internas, crescendo na mente.

Mente aquele que nunca parou pra pensar,
E nem o coitado do Amor é compreendido,
É confundido com seu irmão Cupido,
E continuam vivendo a tragicomédia,
Com seus conceitos de enciclopédia.

segunda-feira, 1 de julho de 2013

OBSCURO




OBSCURO


Sou assim mesmo, obscuro e só,
Numa busca desenfreada por mim mesmo no infinito,
Que se perde no horizonte de infindáveis caminhos,
Que se entrelaçam e lançam as chamas da dúvida.

E o tempo se encolhe e mostra a imensidão,
Num vasto campo de experimentos alquímicos,
Onde o chumbo jamais vira ouro,
Onde um corvo jamais enxergará a escuridão,
A fênix parte o paradoxo entre a vida e a morte,
Escolhe a sorte dos velhos bruxos que se escapam,
Por idéias escondidas dentro da mente sã.

É o caminho para a loucura de saber demais,
E ter que esconder dos demais na convenção,
Daquilo que jamais poderiam saber,
Numa vida que busca por algo mais,
Tão distante da massa apoteótica que se amassa,
E tão perto do infinito e invisível,

Assim sou eu comigo mesmo, obscuro e só.

A RODA




A RODA

Que as palavras ditas não fiquem apenas no papel,
E que as pessoas não aprendam o que já sabem,
E a Tristeza não seja um acompanhante,
Dentro de um caminho que nunca termina,
Sobre a face ácida que vemos no espelho,
Que se desentende com as idéias juvenis,
De um tempo que a Beleza era a vida,
E que as pessoas tinham um pouco de valor,
Os pássaros voavam sobre o mundo infinito,
Cigarras cantavam entre os bosques verdejantes,
Bardos cantavam suas notas para o mundo,
E as pessoas eram vidas vividas do amor,
Que invadia o mundo com simplicidade,
Espantando dos olhares humanos a maldade,
Acendiam fogueiras e dançavam em volta,
Brincando nuas como crianças inocentes,
Sem nenhum poder de inquisição,
Sem nenhuma pedra ou crucificação,
Apenas vivendo sem a lei amaldiçoada,
Guardando-te em padrões indesejáveis,
Que se segue não se sabe por que,
E segue sabendo que não gosta,
Esperando um dia encontrar a felicidade.



SONHO DE MULHER




SONHO DE MULHER

Dormes tranquila linda e pura Donzela,
Com seu rosto formoso pintado numa aquarela,
Que se perde entre a penumbra e a noite,
Usando seus pensamentos como açoite.

Dormes tranquila bela e nobre Princesa,
Nos teus castelos e em sua vida de realeza,
Guardando tuas jóias e peças raras,
Apenas libertando o perfume que exalas.

Dormes tranquila gentil e poderosa Matrona,
Que do meu coração já se tornou única dona,
Entre teus filhos distribui os teus carinhos,
Sou mais um pássaro querendo desfrutar do teu ninho.

Dormes tranquila indescritível Deusa,
Com seus dotes e curvas de eterna beleza,
Suas mãos suaves que afagam minha face,
Teu cheiro, tuas palavras num formoso enlace.

Dormes tranquila Mulher Escarlate,
Me embriagas e me vicias feito chocolate,
Seus lábios rubros feito fatias do coração,
Que minha alma degenera em profunda devoção.

Dorme tranquila límpida Virgem,
E continue em sua livre viagem,
Neste mundo de sonhos de mulher,
Que desvendar e entender todo homem quer.

Dormes tranquila um sonho de mulher.


quinta-feira, 27 de junho de 2013

SÍMBOLO DO INFINITO




SÍMBOLO DO INFINITO

Sete dias de criação e vivemos o oitavo,
Harmonia Universal, libertação do escravo,
No oitavo dia se faz a circuncisão,
Oito velas em oito dias para a Festa da Dedicação.

Oito profetas descendentes da prostituta,
E quem é justo trava com ela a luta,
Não se nasce no oitavo mês de gestação,
Apenas Dionísio, embriagado de ilusão.

Oito almas salvas na arca noética,
Oito bem-aventurados na história evangélica,
Duas cruzes que se equilibram,
Os nobres caminhos que no Budismo ensinam.

No octógono se travam novas lutas,
Deitam ao infinito um símbolo, uma Runa,
Novos guerreiros, novas luvas,

Novo mundo atrás da leve bruma.

O VOO DA ROLINHA




O VOO DA ROLINHA

Quantas são as vezes que se ouve dizer,
Que tudo que acontece, tem que acontecer,
E enquanto as coisas acontecem neste mundo,
Devemos nos adaptar.

Hoje já não se vê as andorinhas no céu,
Provaram na extinção a amargura do fel,
Enquanto sumiam davam lugar às rolinhas,
Num voo de adaptação.

O voo da rolinha nos céus da cidade,
Mostra-nos que no mundo não tem eternidade,
Enquanto houver rolinhas no céu,
Sabemos que ainda podemos viver.

Longe das roças e plantações,
Buscar na cidade suas guarnições,
Nos restos dos homens buscar sua vida,

Buscar a doença chamada, criação.

CAMINHANDO E PLANTANDO




CAMINHANDO E PLANTANDO

Nos caminhos da vida espalhei as sementes,
As primícias de uma nova vida,
Cansado de apenas andar nas vertentes,
Decidi estancar minha ferida.

Meu caminho cheio de pedras e espinhos,
Devo preparar para a terra cultivar,
Assim como os pássaros fazem seus ninhos,
Devo eu minha terra semear.

Depois de plantar em tal terra árida,
As águas do Céu devem entrar em seu meio,
Pois, sementes, pelas energias do céu estão ávidas,
Ali que preparam seu leito, seu seio.

Vem! Vamos embora! Dizia o poeta.
Esperar não é Saber,
Caminhando e plantando se faz acontecer.