domingo, 30 de dezembro de 2012

NEPHILINS






NEPHILINS

Perdidos no tempo, nas histórias humanas,
Muitos dizem ser palavras insanas,
Mas se fala do sepulcro de Sargão,
Lendas de gigantes, lendas de dragão.

Seria um povo remoto esquecido?
Demônios que talvez tenham aparecido?
A ciência não tem resposta às questões.
Davi prefere o Golias derrubar, evitar opiniões.

Enquanto as evidências mostram o contrário,
Ciência e religião não mostram relicário,
Quem sabe não é hora de tirar da pedra a espada,
A Excalibur tanto tempo desejada.

Houve ou não uma raça de gigantes?
Que Platão chamava de Atlantes,
Dos quais nada realmente se encontrou,
Porque da verdade muito se violou.

Resta-nos pensar se estamos sós no mundo,
O que havia antes da Dorsal virar fundo,
Antes dos relatos do dilúvio universal,
Antes de pessoas virarem estátuas de sal.

quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

O CONTO DA FADA





O CONTO DA FADA

Quando a fada pousou o seu olhar,
As brumas da Primavera se converteram em amor,
O que não existia, agora poderá nascer,
Quando o Sol entrar por entre os braços do pistilo.

O gato vem se arder no Sol, e relembrar o Egito,
De onde um dia fugiu das garras dos deuses ancestrais,
O credo da sua alma jamais terá sossego,
Seu mundo é tão azul que a terra te esqueceu.

As palavras tomam formas de borboletas e se escondem em versos,
Os versos caminham pelas linhas até chegar ao ponto final,
E os versos se confundem na cabeça do simples mortal,
As cabeças tentam pensar em algo novo para pensar.

O Sol se abre, abrindo as cortinas e se escondendo atrás,
A Lua se esconde por trás dos sonhos do mundo.

Eu quero crescer e nascer para esse mundo seu,
Eu quero viver para poder renascer nesse mundo seu.

AÉDON







AÉDON

Os seus pais se amaram, coisa de todos mortais,
Os deuses os invejaram por não poder amar,
Queriam poder amar como os pais de Aédon.
Não existia nem pássaro, nem santo, nem vida,
Nem deuses, que amavam como tal,
O limite foi dado até o ponto de cessar,
E a Terra foi feita por equilíbrio natural,
A vida humana surgiu por intermédio de Aédon.

Os deuses da inveja os transformaram em pássaros,
Desses pássaros que nunca cantam,
Pois, de tristeza, os pais de Aédon já não cantam mais.

Mas Aédon se tornou forte como um Budha,
O seu Cristo íntimo se desabrochou,
E o homem se tornou quase ser divino,
Mas não discerniu entre o bem e o mal.

A arvore do Paraíso, está no centro da vida,
E espera por Aédon.

quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

LAGO DOS SONHOS





LAGO DOS SONHOS

Num mundo de vasta prisão,
Descobri outro, que falam que é ilusão,
Mas a minha ilusão é esta realidade,
Que vejo passar por minha necessidade.

Os pássaros cantam lá fora,
Em sua liberdade que inveja aflora,
Uma imensa gaiola que se devora,
Numa devastação de fauna e flora.

Resta voltar para o ermo tranqüilo,
Onde Dante riu de sua “Divina Comédia”,
Percebendo que depois daquilo,
Nada divino existia na Idade Média.

E o lago estava lá e nunca secou,
Nos sonhos, em Avalon, onde nunca acabou,
Somente quem vê é quem pode sentir,
Ansiosamente, espera saber como ir.

A barca cruza o mundo para trás do monte,
Em Veneza ainda hoje se inspiram na fonte,
E da Grécia ecoa o nome Caronte,
Não há mágico antigo que sua façanha conte.

ENCONTRO







ENCONTRO

Saio pelo mundo, bem lá no fundo,
Eu vou.

Por entre os caminhos, estou eu sozinho,
Comigo.

No horizonte vejo o girassol,
O Sol.

Ele me segue onde quer que eu vá,
Ele te segue para onde você for,
E o girassol não dorme perto do Sol,
E o Sol não foge do girassol,
Joga seus braços pelo mundo afora,
Coloca alguém para me vigiar,
Aonde eu vou tem uma sombra me olhando.

Você me joga contra os meus desejos,
Corro e sigo pelos caminhos,
O sexo.
E o sexo me segue não me deixando acordar,
Tentando fugir e chegar a algum lugar,
Mas ele é forte e não te deixa pensar.

Onde você quer chegar se tem um anjo do seu lado?
Onde você vai, se já tem tudo com você?
Por que se drogar, se você tem tanta droga aqui,
Pra que se matar, se é aqui que você vai ficar?

Entre pela janela e volte dormir,
Sua viagem acaba onde ela começou,
E você não aprendeu nada do que você ensinou,
Mais uma vez acorda no seu sonho de rotina.

TORRE DE BABEL


                            



                          TORRE DE BABEL


     Palavras perdidas, no ar, árduo costume de viver,
     Controlando a verdade de desajeitos humanos 
     que não  têmhaver,
     O céu está límpido como o mundo seria antes,
     E os homens sangrando o tempo, com sua imaginação,
     São palavras difusas, confusas, na multidão,
     Dão gritos e urros, afortunados da alma e senso,
     Sóbrio de um povo que não fala a mesma língua.
                          
     Há terras que se confundem com palavras iguais,
     Escritas e ditas por nossos ancestrais, atrás de vida,
     Daria a vida por palavras concretas que falam,
     O que eu gostaria de sentir e viver realmente,
     Mentem os homens que dizem se entender em pleno 
     penar. 
                 
      
     Torre de Babel! Oh! Torre de Babel!


      Palavras escritas e nunca ditas por um ditador,
      O céu é o mesmo céu que vem mudando de novo,
      Mas novo é o senso de viver sem porque,
      Que mais estão vivendo, vendo o que vender,
      Sentir o gosto da mentira, tira essa vergonha da 
      verdade.

      Vaidade humana, de não conseguir rir e chorar por si,
      Situações acumulam e ninguém se entende,
      Entende o ato de mudar mudando a si e o consigo,
      Sigo, os rumos traçados por uma sociedade de vaidade,
      A idade bate à sua porta, fechada e ninguém se 
      entende,

      Na torre de babel.      


segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

MAHA LILA






MAHA LILA

Livros escritos, deixados na prateleira,
Melhor destino talvez fosse a lareira,
Algo que este mundo nunca entendeu,
Às vezes me esqueço que nada é meu.

Preciso contar piadas para alegrar as pessoas,
Mesmo que nenhuma delas seja realmente boa,
Mas o que é a vida senão uma bela piada?
Como diz os vedas, brincadeira pra Deus dar risada.

E por que não nós, com nosso humor e prosa,
Esquecendo a intriga, tema do livro “o nome da rosa”,
Lembrar obras sátiras, e pessoas de sarcástico humor,
Que não parece, mas também é uma expressão de amor.

Quem não ri do Quixote, louco e desajeitado,
Do amor da Vênus pelo Hefesto, ogro aleijado,
Ulisses, “ninguém” furando do ciclope, único olho,
Quando se estraga ou se azeda o molho.

Rir da política, da polícia, de si mesmo,
De quem come rapadura, quem chama bacon de torresmo,
E no sarcástico mundo satírico que vivemos,
É melhor nem dar atenção ao que lemos.

Isto aqui, por exemplo!

sábado, 15 de dezembro de 2012

CANSADO










CANSADO
 (Pra por na minha Lápide)

O ancião me olha e diz: Tu ainda assim serás!
Por mais que lute em seu caminho fugaz,
Será a velhice apenas um destino indesejado?
Ou será ponto de referência de um espírito cansado?

E cansado de lutar com suas próprias quimeras,
Procurando na vida atitudes sinceras,
No cansaço poder encontrar um descanso,
Num leito macio, no colo de um Morfeu manso.

Será que valeu toda a sabedoria herdada?
As cicatrizes do tempo na face marcada?
Digo que sim, não me arrependo de nada,
Beijo a Morte, minha eterna aliada.

Oh Morte! Tu que me sondas como uma amiga!
Esperando o momento em que a vida se intriga,
Que me acolhe um pouco a cada dia,
Minha mais fiel companhia!

Sabes bem a hora de mudar os papéis,
Então eu te sigo, deusa do Tempo, de formosos anéis,
Deixando este mundo que tenho acompanhado,
E meu corpo inerte, frio, putrefato e cansado.

Elder Prior

CALE-SE










CALE-SE

Erga o Cálice e beba,
A Cicuta que está em suas mãos,
E o veneno não é mais tão sereno,
Não afaste o Cálice de sua embriaguez.

A vida transgênica que você vive,
Não tem espaço no seu futuro,
As trombetas soam no céu,
A cornucópia do anjo secou.

Quantos Cálices se levantaram no mundo,
Quanto veneno colocaram em suas veias,
Quantos livros mostraram seu destino,
Quantas religiões te dizem a verdade.

O Cálice foi derrubado num bueiro,
E o veneno voltou na boca da serpente,
As águas afogaram suas lágrimas,
Seu sangue te pediu pra calar.

Quantas canções o bardo cantou,
Quantas bruxas a fogueira queimou,
Quantos sábios fugiram do destino,
Quantas saudades deixou o menino.

Elder Prior

MEDO





MEDO

O medo de tudo acabar não deixa ver o futuro,
Daquilo que te espera ao alcance, no escuro,
O fim do mundo é todo dia para o medo,
Daqueles que suspeitam de seus erros em segredo.

A Torre maldita cai sobre os escombros da idade,
Um museu de vasta idiotice criado pela vaidade,
Vaidade que te come e te cria rugas, cicatrizes,
Juntando suas preces às de falsas meretrizes.

O medo condena o passado ao futuro incerto,
Nunca revelando se está longe ou perto,
O fim do mundo é o início de outro,
Hora do velho chumbo transformar-se em ouro.

E todos procuram o fim do mundo em profecias,
Misturando suas velhas crenças com novas heresias,
Procurando um final triste para um mundo interno,
Enquanto o mundo acaba todo dia num movimento eterno.

Elder Prior

quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

SINFONIA DOS ELEMENTAIS









SINFONIA DOS ELEMENTAIS


 Terra, mundo gigantesco, finito.
 Terra, pequeno mundo dentro do infinito,
 Onde sou verme, sou parte, sou homem, sou deus,
 Sou o último dos seus Prometeus,
 Trazendo em si a terra vermelha, o sal da terra,
 A vida movimentada dos arranha-céus,
 Fulgurando formigas por ruas, por becos, por túneis,
 Belezas feias, alegrias tristes, vidas mortas,
 Em busca de sangue, em busca de amor,
 Do calor...


 E o fogo lava nossa alma, queima as cinzas,
A escuridão turva a luz e o cheiro é triste,
Onde sou verme, sou anjo, demônio, sou cobaia de Deus.
A chispa busca onde se afogar e o infinito é o seu lugar.
Tão longe, tão dentro de mim,
O fogo fluindo, fluindo nas águas do mundo,
Fluindo no corpo, nas águas sujas, nas claras.

                           
Nas águas vivas, que ainda saem da fonte,
E as águas lavam a vergonha dos “cara de pau”,
Com seus jargões conhecidos e suas palavras falaciosas,
As pizzas são comidas, as verdades esquecidas,
E chove de novo, e a seca gera novas riquezas,
As pobrezas são nobres, e as guerras continuam no ar,

E o ar está tranquilo, procurando a vida,
E passam tiros de fuzil, bombas, balas, doces,
De crianças, traficantes, trafegando para a cripta,
E os donos dos elementos, alimentam tudo,
Alimentam o Universo, o imerso e o reverso,
Da mesma medalha.
Terra! Sagrada Terra!