segunda-feira, 27 de agosto de 2012

CARTES DE AMOR - VI - ENAMORADO




Encontro em ti todas as deusas, as sereias,
Musa de todos os caminhos, em múltiplas veias,
Como decidir qual das mais belas está em ti?
Se com todas elas, o convívio e o prazer senti?

Oh! Mulher. Que enamorado me deixas duvidoso,
Como o início e o fim neste caso amoroso,
Tão eterno quanto a escolha de um dos lados,
Quando todos seus lados são igualmente amados.

E vais tu jovem e bela, em sua graça pueril,
E vens tu, várias mulheres, dando a luz ao vazio,
Um beijo com gosto de todos os sabores,
Uma flor com cheiro de todos os odores.

Oh! Mulher. Que silencia os anjos no escuro,
Para te escutarem fora do jardim, atrás do muro,
Para se apaixonarem pelas filhas do meu amor,
Enquanto te quero em todas as nuances de cor.

Não há como escolher o que não se sabe,
Julgar o que é mais valioso a mim não cabe,
As mulheres continuam em seus ciclos de alegria,
Incendiando as asas da minha pobre alma vazia.

sexta-feira, 24 de agosto de 2012

CARTAS DE AMOR - V - MESTRE DOS ARCANOS




MESTRE DOS ARCANOS

Lhe dou o Sol para adornar seus cabelos,
Que me iluminam só por retornar vê-los,
Seu sorriso iluminando meu coração,
Com seus raios carinhosos de paixão.

Lhe dou a Lua para dominares o mar,
Em suas ondas no luar poder cavalgar,
Seus olhos que me olham, enquanto sonho acordado,
Sentindo sua umidade, o suor de um corpo molhado.

Lhe dou o canto dos pássaros felizes ao amanhecer,
Cantando e celebrando a vida sem nada querer,
Sua voz sussurrando em meu ouvido,
Me amando e falando coisas no momento devido.

Lhe dou as mais belas flores do jardim,
Um Éden aberto por um amigo querubim,
Suas mãos deslizando no barro macio,
Tirando carinhos nas areias do leito do rio.

Sou um mestre dos arcanos, que lhe dou presentes,
Dono de ideias, sobre paixões sobreviventes,
Coisas que o tempo tentou, mas não apagou,
Coisas que até o anjo, do homem invejou.


terça-feira, 21 de agosto de 2012

CARTAS DE AMOR - IV - MORPHEU




Um dia acordei e te vi dormindo,
Sonhava algo belo, estavas sorrindo,
Com os olhos cerrados e semblante feliz,
Vivendo um mundo paralelo, como se diz.

Acariciei seu rosto com desejo de lá também estar,
Para em seu paraíso exótico poder te amar,
Me deleitar nos teus desejos, teus beijos,
Te acordar com meus beijos, afogando teus desejos.

Ainda é cedo e dormes em seu sono solitário,
E eu aqui fico quieto, tentando ser solidário,
Como gostaria de estar caminhando ao seu lado,
Te amando como um mito criado.

É hora de acordar e estás tão linda,
Mas para o dia, acorde. És bem vinda,
Vamos sair e passear pelos jardins do mundo,
Encontrar mais um pedacinho de amor, lá no fundo,
Vamos voltar dormir...

CARTAS DE AMOR - III - A RAINHA




Sentada em seu trono de saber eterno,
Esperando as pesadas sombras do inverno,
Que se dissipam nas palavras sussurradas,
Entre brumas e faces beijadas.

Somente a luz ilumina meu rosto,
Guardando ainda na mente seu gosto,
O sabor de uma paixão consolidada,
Por uma ideia ao destino jogada.

Jogam as pedras e as runas mostram a vida,
Entre o tempo e o espaço por ela requerida,
Seus lábios me dizendo palavras de sabedoria,
Me desejando amor ao despertar do dia.

Me espera mais um pouco em seu trono,
Pois vou chegar até você não sei como,
Só o tempo pode me levar para o amor,
Só o tempo pode dizer adeus à dor.



sexta-feira, 17 de agosto de 2012

CARTAS DE AMOR - II - MINHA DEUSA

MINHA DEUSA



Tu és minha deusa escondida,

Dentro do ventre da sacerdotisa,

Que me abraça e me ama com afagos e carinho,

Nunca me deixando, não ando sozinho.



Tu és minha deusa, a luz do meu rumo,

Minha sacerdotisa, meu malhete, meu prumo,

Não posso saber sem a visão de sua sabedoria,

Não posso sorrir sem a sua alegria.



Teu beijo em minh'alma, me revive,

Das tristezas e das estranhezas que tive,

Meu anjo guardião do coração,

Que domestica o fogo do dragão.



Bebo em tuas palavras minha paz,

Sinto a calmaria que me desfaz,

E o que eu era já não sou,

Aquela música triste nunca mais tocou.



Hoje é só o amor que importa,

Ao abrir e deixar a luz pela porta,

Radiando do infinito para dentro do peito,

Num amor infinito, jamais desfeito.

CARTAS DE AMOR - I - O MAGO APAIXONADO








O MAGO APAIXONADO



Havia me esquecido da minha paixão,

Passando grande tempo de solidão,

Trancado entre mundos irreais,

Procurando loucamente meus ideais.



Me esqueci da simplicidade da vida,

Perdido no meio da inquietude regida,

Com os grandes caminhos do ego ansioso,

Andando por seu trajeto limboso.



Mas você me lembrou do Amor,

Me tirando do limbo e da dor,

Me mostrou a simplicidade de ser,

Dar valor ao momento de viver.



Olha o Sol lindo acenando lá fora,

Passeando entre as nuvens, viajando de hora em hora,

Mostrando o movimento da vida,

Do amor e da paixão estendida.



E me apaixono novamente pela sua simplicidade,

Cansado de tanta curiosidade,

Amando aquilo que me ama,

Amando a verdade que não se engana.

terça-feira, 14 de agosto de 2012

NA PORTA DO TEMPLO





Em aventuras pelas paixões e pelos amores que se cruzam,
Vi o meu caminho mostrar um ermo tranquilo,
E na noite onde os apaixonados aos seus deleites se usam,
Cruzei a ponte para ver além, sem saber discerni-lo.


Eis que havia, entre o ermo sagrado, as portas de suntuoso recinto,
Dois pilares majestosos abriam as imagens para dentro de uma porta,
Vi anjo vestido de luz, olhos de fogo, andar sucinto,
Carregava uma espada flamejante que, ao tocar-se em máculas,
se entorta.


Eu: _Oh! Anjo de luz, que ao meu encontro veio,
Que sejas compassivo com a minha ansiedade,
Deixe que eu entre pelas portas do templo, sem freio,
E que sacie daquilo que busco por necessidade.


Anjo: _Oh! Mortal, que falhas no seu buscar tortuoso,
Que olhe em ti mesmo o motivo do teu regresso,
Não se passa pelo portão do templo o ativo orgulhoso,
Nem podes voltar daqui, suplicante também te peço.


Busque em si mesmo as chaves do templo fechado,
Use-as de acordo com o que tem que se usar,
São quatro elementos, aos quais, você está ligado,
Deve saber usa-los para seu espírito purificar.


Eu: _Oh! Anjo cruel, não me deixe aflito,
Pois se aqui estou é porque quero ir além,
Com olhares de perda do amor é que eu te fito,
Porque deste mundo obscuro já não vivo sem.


Então o anjo compadecido do meu sofrimento,
Olhou-me nos olhos e disse para minh’alma,
Falando bem dentro de mim, no mais profundo sentimento,
Porém, sem perder sua formosura e sua calma.


Anjo: _Oh! Tu que prostras perante o portal, para e pensa,
Não te sejas enganosa a facilidade de entrar,
Para atravessar incólume pelos pilares, é necessário que vença,
Vento, água, terra e fogo sem jamais vacilar.


Não ouça jamais os uivos do vento, tal como um lobo em lua cheia,
Pois o vento sopra onde quer e como quer, sem dizer o lugar,
Busque no vento apenas a luz da tempestade que incendeia,
Os corações que buscam a verdade sem se cansar.


Não acredite que tem sede, antes de realmente da água precisar,
Nem que a cicuta é água pelo simples fato de molhar,
A água viva que sai da fonte, sacia melhor o que tem sede,
E coloca em evidência aqueles que ainda se esperneiam na rede.


A terra úmida e fértil pelo orvalho do amanhecer,
É a mesma terra que gela nas noites do deserto,
Escolha entre as luzes que surgem ao alvorecer,
Às trevas geladas daquele que se acha esperto.


O fogo rasga o seu horizonte no meio do infinito,
Enquanto as trevas se apoderam do seu ser,
E no meio de um lustre, estandarte bonito,
Uma luz brilha e todos podem ver.


Assim, amigo que buscas aquilo que a si mesmo esconde,
Caminhe tranquilo pela vida que lhe mostra forças tamanhas,
Esqueça os caminhos que você caminha sem saber onde,
Abra-se ao novo mundo que fará surgir em suas entranhas.


Compreendi então o que o anjo dizia,
E naquela noite tranquila, calma e fria,
Descobri os mais nobres segredos da alquimia,
Livrando minh’alma e minha mente de uma vida vazia.


As coisas continuam acontecendo e no infinito surgindo,
Enquanto a maioria das pessoas estão dormindo,
Poucos buscam o caminho que deveriam estar seguindo,
Esperam sem saber porque, o clímax de mais um dia findo.



Elder Prior.



ESFINGE







ESFINGE

Vou eu com minhas patas e boca ávida de leão,
Querendo esconder de todos, meu rabo de dragão,
Cabeça de homem mas um coração de Medusa,
Tentando petrificar aquele que a frente cruza.


De tempos inglórios me lembro de princesas,
Em castelos abandonadas, abandonadas presas,
Quem não se encanta com o canto do Menestrel?
Músicas da alma, boca adoçada com mel?

E a princesa mais feliz caiu no encanto do canto,
Seguiu o Menestrel para o seu escondido recanto,
Conheceu então o fogo escondido, a garganta do dragão,
Apaixonou-se por algo que não sabia a razão.

Na lua cheia conheceu poções, e a magia escolheu,
Pensando que era amor aquilo tudo que aconteceu,
Mas dragão não tem sentimento, só quer cozinhar o caldeirão,
E no amanhecer, tudo acabou, o sentimento, solidão.

Por isso é triste seguir a Esfinge,
O coração de amor tinge,
Mas a Esfinge só quer movimento,
Fazendo queimar por fora e por dentro.

E volta então, ser o destemido leão,
E o dragão esconda seu rabo, o Pigmalião,
Achando princesas, belas estátuas sem vida,
Deixando em seus sentimentos, apenas uma lembrança adquirida.