terça-feira, 31 de julho de 2012

AVALON





AVALON

O Sol brilha entre as brumas,
na floresta distante clareia o céu,
Gotas de orvalho brilham nas folhas,
e as primeiras fadas surgem no ar.


No meio das brumas eis que vem Gaia,
deslizando as mãos na relva fresca,
Transformando o verde em flores,
transformando o mundo em amor.


Avalon, no meio das brumas,
perdido no tempo,
Avalon, escondido daqueles que não devem ver.


Foi em Avalon que te conheci,
entre suas brumas te amei,
Foram momentos que jamais esqueci,
e as flores coroaram nosso amor.


Avalon, o Sol te esconde entre as brumas,
seus lugares suaves em véu,
As estrelas apontam o caminho,
da morada de Tyr lá no céu.

AWEN






AWEN

Inspiração da minha vida, favo de mel,
Palavras sob a terra, estrelas no céu,
Onde o Sol surge, ruge o leão,
Onde a Lua dorme, bate o coração.

A música soa no fundo do oceano,
Abrem-se as pesadas cortinas de pano,
A chuva respinga em meu rosto,
O sal da dor resgata o seu gosto.

Palavras insanas, coisas santas,
Vidas amargas, teorias gastas,
Religiões criando guerras santas,
Países vivendo de suas idéias gastas.

Inspira, insira uma nova idéia,
Abra os olhos dessa grande colméia,
O Sol se põe, o leão é domesticado,
A Lua brilha ao horizonte, o coração foi devorado.

Os canibais dançam na floresta,
O teatro ainda está no palco,
Idéias tristes e uma pena me resta,
A verdade virou talco.


NOITE SILENCIOSA





  NOITE SILENCIOSA


   Ouvindo entre as árvores os murmúrios daqueles que não se vê,
   Redigindo palavras para quando o amor chegar,
   É você invencível com a luz em suas mãos,
   Ninguém ao seu lado para aplacar sua solidão.


   A noite é luminosa, no horizonte surge a lua,
   A luz invade a floresta e as fogueiras estão acesas,
   As bruxas festejam, o eremita caminha, e o amor se consuma,
   A relva macia se enche de frescor com o hálito do vento.



   Brigit! Brigit! Alguém brada na noite tão linda,
   Esperando sentir o amor, a lua e a magia da luz,
   Brigit! Brigit! Alguém clama para que seja ouvido,
   Mas apenas se ouve o crepitar do fogo.



   Das cinzas surge um nome,
   Do nome surge um amor,
   Do amor surge um momento,
   Do momento surge a hora derradeira,
   De na noite luminosa o dia chegar,
 


   E continua o brado no meio da floresta,
   Até que os sons do alvorecer calam as lamúrias da paixão,
   Está novamente só, com a sua triste solidão,
   Esperando mais uma vez o despertar da noite luminosa.
               

sexta-feira, 27 de julho de 2012

O BARDO LOUCO








Porque é tão difícil entender as palavras de um louco,
Daquele que fala idiotices até ficar rouco,
Uma rouquidão de pensamentos que expressam preocupação,
Sem muito lidar com seu lado emoção.


Mas é tão difícil ser aceito e aceitar,
Um mundo de imagens que passam sem parar,
Coisas que são verdades para as pessoas,
E para um  pobre coitado, em sua mente ressoa.

É tão fácil viver a vida, vendo o tempo viver,
Mas a alma pede mais que tempo, quer florescer,
O que pessoas vêem como a vida vivida,
Pro Bardo é o limiar de uma nova saída.

É fácil viver e achar que isto é tudo,
Mas é difícil viver e não ter um escudo,
Onde possa se esconder e viver sem pensar,
Em tudo que se vê e pensa, neste lugar.

Se isto é tudo, então, não é nada pra mim,
Prefiro acreditar que a vida não tem fim,
E o que vivo agora me leva  aceitar,
Um modo diferente de conjugar o amar.

Não, não posso amar como se toma posse,
Prefiro amar como se um Bardo fosse,
“Caminhando e cantando e seguindo a canção”,
Conforme manda o fundo do meu coração.


ÍSIS




ISIS

Isis, vem com teus braços e suas faces me olhar,
Isis, vem com a eternidade me brindar,
Corre-te para a fonte do rio Nilo e banhe-se no luar,
Deixe meus olhos de realidade na ilusão se retratar.

Com cachos de uva, semblante feliz, ansata nas mãos,
Agracia-te seu esposo, seu pai, adora teu filho,
Nutriz do eterno, espere, pois o mundo pra ti é sempre verão,
Ta na hora de sonhar e seguir pela terra espalhando os grãos.

Deixe-me só, se for o teu desejo,
Deixe-me feliz, se for o teu anseio,
Digas-me verdades, se forem para cobrir mentiras,
Digas-me o tempo, se for para conhecer a eternidade.

É chegada a hora de viver aqui,
Renascer das cinzas e do pó, se eternizar,
Viver os segundos sabendo que é bonito viver,
Quão bom é viver, cada momento,
Quão bom é viver a eternidade.

O tempo é pedaços de eternidade

terça-feira, 24 de julho de 2012

SETE DIAS



SETE DIAS

Sete notas, sete reis, sete mundos, sete leis,
A glória do Pai está em seus feitos,
E Seth procura pelos que perderam a conexão,
Aqueles que acreditam viver no mundo são.

Os cães ladram à noite, para a sombra escondida,
Demônios uivam para a vida bandida,
Sacrificam-se os dias e pecam-se nas noites,
Bestificando o que de humano ainda resta, no resto.

Sete leis dos sete reis,
Regendo as sete notas dos sete mundos,
Os reis não são puros como se gostaria,
Os mundos não são como todos querem,
Ou não são como ninguém quer?



Será que o que eu quero em meu mundo,
É o mesmo que o meu vizinho quer no seu,
Mas diante do universo vivemos uma chispa de segundo,
Sequer sabemos o bem ou o mal que este mundo regeu.

Dúvidas mostram verdades ilusórias,
Será que alguém tem a verdade?
Pessoas em suas capacidades e suas vidas notórias,
Não será apenas mais um alimento para sua vaidade?

Ser ou não ser, eis a antiga questão,
Acima como embaixo, é a resposta do Egito,
Quem é Deus ou o Diabo então?
“Eu sou a Estrela da Manhã” diz o Cristo,
“Eu sou a Estrela da Manhã” diz o Diabo.

ÉPICO




 ÉPICO
O AMANHECER

 O Sol espalha seu sangue nos raios de Karna para novamente viver,
As nuvens suspiram na pira de Prometeu procurando o Arco íris,
E os jovens respiram mais uma vez,
Os velhos remexem em suas relíquias,
E todos enfrentam o amanhecer.

O frio se esvai, esperando seu pai chegar e sugar o calor,
Já o calor bate nos grãos de areia transformando tudo em sal,
E o sal vai cozer o coração dos duros, como são as pedras,
O sangue remexe em suas veias,
E todos esperam o amanhecer.

No Norte as pessoas batucam tomando água de côco,
No Sul as pessoas fazem a roda no pé do chimarrão,
E quando amanhece, o Sul esquece e toma café,
E o Norte pega o pau-de-arara e vem para o Sul,
E juntos rezam por mais um amanhecer.

 O MEIO DIA

É meio dia de um dia tão lindo,
As flores sorrindo, a felicidade batendo na porta,
Pedindo pra você “me deixa entrar!”,
Mas no seu capacho não está escrito “Bem Vindo”,
Mas seu coração é quem pede,
Você pode estar longe, que o meu sangue está aí,
Não se esquece um amor Santo,
Não se briga com o nosso amor,
Mas enquanto você está muda,
Eu escuto tudo o que você tem a dizer.

É meio dia, é hora de ir embora,
Mas não chore por me ver partir,
A partida é um breve momento, mas o sofrimento parece eterno,
O meu já não te satisfaz,a sua gula é muito mais voraz,
O teu prazer pedindo desejo, e o que eu almejo está longe,
Que mesmo eterno, não consigo buscar.

É meio dia, o relógio parou,
Na velha Matriz o sino tocou,
Mas a beleza da minha certeza,
É que você ainda me tem com muito amor.

Ao meio dia é tudo transparente,
É tão mais fácil olhar pela lente,
Observar o que você ainda sente,
E saber que um dia ainda pode viver tão distante,
Mas tão próximo, como o passar das horas.




PREDÚDIO

Deixe a formiga formigar a sua vida,
Venha se juntar a nós,
Venha viver como nós,
Venha ser mais um que não quer formigar.



O VESPERTINO

Sangue solto nas veias, a batalha começou,
Águas no céu anil, pedestres rondam tumbas,
Farejam o amor, a peste corre o mundo.

Levantam-se os mortos, tentam sobreviver,
Gritam almas penadas, queimando o seu suor,
Pedras batem geladas, pedindo acalanto.

O entardecer de combate e de serras cortando,
Pessoas viram pedras e fogos cruzam o espaço,
É mais um entardecer do olho do dragão.

E o dia acaba feliz,
A vida acaba feliz,
O dinheiro já não vale,
Não existem mais os vales,
Onde outrora brincávamos,
Hoje só resta a saudade,
E a falta de saúde,
Para poder reconstruir
A minha nova vida.



A HORA DA CIGARRA CANTAR

É hora de a cigarra cantar, do sapo coaxar e a coruja piar,
É hora de trazer a graça, de trazer a chuva, de atrair desgraças,

Junto com as cigarras cantam os grilos,
Junto com os sapos estão os insetos,
Junto à coruja estão os incestos.

O sangue da virgem já jorra,
A cigarra canta, o sapo coaxa, a coruja pia,
Anunciando a hora bestial.



O ANOITECER

Gatos, morcegos, víboras, lobos, diabos,
Sangue, violência, sexo, morte, rock’n roll,
Homens de bem, homens do mal,
Trazendo a barra pesada e a materialização do anoitecer.

Padres são falsos na terra de ninguém,
Virgens prostitutas são freiras, são bruxas,
Crianças são vítimas das circunstâncias,
São assassinadas em missas negras,
Morrem de frio e de fome na missa da vida.

Já não saem mais os gatos e os morcegos,
As víboras, os lobos e os diabos,
O sangue da Terra não dá para todos,
E todos não fogem do que querem ser,
Os vampiros continuam vivos e destruindo,
Mais uma vez, a vida humana que não vive o humano.



CANÇÃO DEVOCIONAL AO PAI SOL

Vem com teus raios flamejantes, ó grande Pai!
A tua aura áurea se abre em raios de flor,
Traga a sua vida a todos que querem viver,
Faça a sua vontade, ó pai, e vem fazer eu morrer.

Vem com tua chama acesa, incendeia o meu coração,
Suba os degraus do meu mundo e me traga a realidade,
Torna-me mais um de seus filhos, ó grande Avatar dourado,
Faça a sua vontade, ó pai, e vem fazer eu nascer.

Cuidado, ó Surya, que seus cabelos são cobiçados,
Mas estes que cobiçam jamais no ouro deles poderão tocar,
Sua energia percorre minh’alma e me transforma em rei,
Agora eu sei o que são “As Minas do Rei Salomão”.

Tantos procuram a tocha sagrada,
Muitos já seguraram na mão,
Mas não conseguiram retirar,
A Excalibur da rocha de Arthur.

A sua chama ainda está acesa,
Sua taça ainda está cheia e não foi derramado o mercúrio,
O fogo ainda existe no meio de nós,
Até amanhã meu pai dourado.

sábado, 21 de julho de 2012

O BARDO




O BARDO

Vai o Bardo em seu caminho sem fim,
Trazendo para o mundo o que há em mim,
Caminhos que só se passa num mundo verdadeiro,
Onde os simples mortais só conhecem em pesadelo.

Vai o Bardo pela vida caminhando,
Sem dinheiro, sem casa, pelo mundo trovando,
Junto a fogueiras, um bom vinho, boa companhia,
Ser de um mundo que há muito tempo não se via.

Vai o Bardo, o menestrel pelo mundo cantar,
Coisas que não se vê daqui deste lugar,
A maioria não tem liberdade para amar,
E o amor é quem abre as portas para o alento mudar.


Vai o Bardo, sorrindo e feliz,
Feito um Louco, em sua vida que diz:
“Só é vida aquilo que vivemos para si”,
O resto é ilusão, deste mundo daqui.

E o Bardo segue cantando e chamando,
Clamando para todos que querem ser feliz,
Seja você mesmo e viva sua vida mudando,
Porque o que fica parado acaba virando,
Um museu enferrujado e infeliz.